O Brasil ganhou um centro dedicado à identificação e produção de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) derivados de sua biodiversidade. Instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), o Centro de Competência em IFA a partir da Biodiversidade Brasileira (CC-IFABR) reúne esforços da Embrapii, do Ministério da Saúde e do próprio CNPEM.
Estrutura e financiamento
O CC-IFABR contará com investimento de R$ 60 milhões nos quatro primeiros anos de operação. A iniciativa pretende diminuir, a longo prazo, a elevada dependência de matérias-primas importadas, que hoje representam mais de 90% dos IFAs utilizados pela indústria farmacêutica nacional em diversos segmentos.
Linhas de pesquisa em andamento
Pesquisadores do novo centro vão investigar moléculas presentes em plantas, animais e microrganismos brasileiros com potencial terapêutico. Entre os projetos já em fase inicial, destacam-se:
- Desenvolvimento de imunoterapias contra diferentes tipos de câncer;
- Busca por compostos para tratar infecções emergentes;
- Estudo de uma substância extraída de planta da Caatinga para estimular o sistema imunológico contra tumores;
- Avaliação de uma molécula obtida de microrganismo visando o combate à sepse.
Segundo Daniela Trivella, coordenadora do CC-IFABR, dois desses projetos já estão sendo executados no laboratório de Campinas.
Desafios e próximos passos
O processo para transformar uma molécula promissora em medicamento envolve estudos pré-clínicos, testes em humanos, aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e desenvolvimento de processos para produção em escala industrial. Na avaliação de Álvaro Prata, presidente da Embrapii, ainda não há estimativa de quanto tempo será necessário para que o programa comece a reduzir efetivamente a importação de insumos farmacêuticos.

Imagem: Imagem ilustrativa
Para aumentar a eficiência dessas etapas, o centro planeja empregar uma biofoundry – plataforma que integra robótica e inteligência artificial para otimizar microrganismos capazes de sintetizar compostos de interesse. Além disso, o projeto prevê a conversão de compostos naturais em novas moléculas patenteáveis, com licenciamento preferencial a empresas brasileiras, respeitando a legislação sobre patrimônio genético e repartição de benefícios.
O aporte inicial de R$ 60 milhões cobre apenas a fase de instalação e primeiros estudos. Novos recursos ainda serão captados, mas não há parcerias ou valores confirmados. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que o objetivo central é fortalecer a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico, e que eventuais ganhos ao Sistema Único de Saúde vão depender do avanço das pesquisas, da viabilidade industrial e da aprovação regulatória.
Com informações de Olhardigital

