Provedores de internet têm adotado o CGNAT (Carrier-Grade Network Address Translation) como medida emergencial para driblar a escassez global de endereços IPv4. A tecnologia permite que múltiplos assinantes usem o mesmo IP público, adiando a migração completa para o IPv6 e reduzindo custos de infraestrutura.
Transmissão: Band
O que é CGNAT?
O CGNAT é um sistema de tradução de endereços implantado diretamente na rede do provedor. Em vez de atribuir um IP público exclusivo a cada cliente, o equipamento do ISP converte os endereços privados de residências em uma única identificação externa. Essa estratégia garante que milhões de dispositivos acessem a internet sem esgotar o limitado pool de IPv4.
Como funciona o CGNAT?
No primeiro estágio, o roteador doméstico transforma as solicitações de cada aparelho em endereços privados internos. Em seguida, o gateway do provedor aplica o PAT (Port Address Translation), atribuindo portas TCP ou UDP únicas para cada sessão. Para manter o rastreamento correto das conexões, o sistema utiliza State Tracking, uma tabela dinâmica que monitora entradas e saídas de dados.
Vantagens do CGNAT
Sobrevida ao IPv4: Estende a validade do protocolo ao compartilhar um mesmo endereço público entre diversos assinantes.
Economia e eficiência: Evita a compra de novos blocos de IP, reduzindo investimentos e mantendo o serviço acessível.
Expansão simplificada: Permite ativação rápida de clientes sem depender de alocação individual de endereços.
Barreira de segurança: Oculta o IP real dos usuários, dificultando ataques diretos contra dispositivos residenciais.
Rastreamento legal: Gera logs detalhados de tráfego, úteis para diagnóstico de falhas e atendimento a solicitações judiciais.
Desvantagens do CGNAT
Bloqueio de portas: Impede o redirecionamento, afetando servidores domésticos, câmeras de segurança e NAS.

Imagem: Imagem ilustrativa
Impacto em P2P e streaming: Pode causar lentidão em torrents e até bloqueio em serviços que confundem IP coletivo com VPN.
Instabilidade em jogos e VoIP: Gera picos de latência, quedas de sessão e troca de IPs, prejudicando partidas online e chamadas de vídeo.
Punição coletiva: Caso um usuário dispare spam ou cometa crimes virtuais, o IP compartilhado pode ser banido, penalizando vizinhos inocentes.
Vulnerabilidade a DDoS: Um ataque direcionado ao endereço comum pode derrubar vários clientes simultaneamente.
Como saber se você está em CGNAT
Para identificar o CGNAT, acesse a interface de administração do roteador e anote o IP na aba WAN. Em seguida, visite um site como whatsmyip.org e compare o número exibido. Se forem diferentes, sua conexão está passando por um IP compartilhado. Outro indicativo é detectar no roteador um endereço entre 100.64.0.0 e 100.127.255.255, faixa reservada para CGNAT.
É possível desativar o CGNAT?
O controle do CGNAT está na infraestrutura do provedor, não no roteador doméstico. Para obter um IP público dinâmico, o usuário deve solicitar à operadora a migração para fora da faixa compartilhada. Após a confirmação, basta reiniciar o modem para aplicar o novo mapeamento de portas.
O surgimento do CGNAT atende à demanda imediata por novos clientes, mas traz limitações que impactam atividades sensíveis a redirecionamento de portas e conexões ponto a ponto. À medida que o IPv6 se espalha, a tendência é reduzir o uso dessa técnica, devolvendo a cada assinante seu próprio endereço público.
Com informações de Tecnoblog


