A Europa Ocidental enfrenta uma intensa onda de calor em junho, ocasionada por um padrão atmosférico denominado bloqueio Ômega. O fenômeno mantém o ar quente estagnado sobre regiões como França, Espanha e Reino Unido, elevando as temperaturas acima de 40°C e tendo sido ligado a mais de 40 mortes apenas na França.
Formação do bloqueio Ômega
O bloqueio ocorre quando uma área de alta pressão fica presa entre dois sistemas de baixa pressão. A configuração lembra a letra grega ômega, pois o centro de alta pressionamento se mantém praticamente imóvel, cercado por depressões que impedem a movimentação normal das massas de ar.
Em condições regulares, a corrente de jato desloca os sistemas de oeste para leste. No bloqueio Ômega, porém, essa corrente sofre grandes ondulações, que isolam os sistemas de pressão e retardam seu progresso, prolongando a permanência do ar quente sobre as mesmas áreas.
Impactos climáticos e geográficos
Nas regiões sob a alta pressão, a cobertura de nuvens é reduzida, favorecendo céu claro e forte irradiação solar. Esse cenário intensifica a elevação das temperaturas e mantém o clima seco por vários dias. Ao todo, o bloqueio pode durar de três a dez dias e, em casos excepcionais, persistir por períodos ainda maiores.
Enquanto França e Espanha registram termômetros acima dos 40°C, algumas partes do Reino Unido vivem um contraste: o sul e o leste enfrentam calor intenso, ao passo que o norte e o oeste têm condições mais amenas e chuvas ocasionais, devido à influência dos sistemas de baixa pressão.

Imagem: Imagem ilustrativa
Relação com o aquecimento global
Embora ainda não haja consenso sobre a frequência de bloqueios atmosféricos no contexto das mudanças climáticas, cientistas concordam que o aquecimento global vem tornando as ondas de calor mais intensas e recorrentes. Desde a era pré-industrial, a temperatura média do planeta subiu cerca de 1,3°C, em grande parte por conta das emissões de gases de efeito estufa derivados do uso de carvão, petróleo e gás.
De acordo com Clair Barnes, pesquisadora do Imperial College London, as ondas de calor atuais na Europa estão entre 2°C e 4°C acima do que seria esperado sem a influência humana no clima.
Com informações de Olhardigital

