Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado em 2026 projeta que o consumo de eletricidade associado à inteligência artificial pode dobrar até 2030, alcançando cerca de 3% de toda a energia produzida globalmente. Segundo o documento, esse aumento colocaria as emissões de carbono do setor em patamar equivalente ao da economia do Reino Unido.
Paradoxo de Jevons e expansão da demanda
O estudo utiliza o paradoxo de Jevons para explicar o fenômeno: melhorias na eficiência de uso reduzem custos, mas acabam estimulando a demanda em volume suficiente para anular os ganhos. Dessa forma, mesmo algoritmos e chips mais econômicos não conteriam o crescimento do consumo energético, já que tornam a tecnologia mais acessível e ampliam as aplicações de IA.
Impactos na infraestrutura e nos recursos
Em 2025, data centers tiveram consumo elétrico equivalente ao da Arábia Saudita, um dos países que mais consome energia no mundo. Se a projeção de duplicação até 2030 se confirmar, seriam necessárias medidas compensatórias como o plantio de 6,7 bilhões de árvores em dez anos. Além disso, a expansão demandaria 9,3 trilhões de litros de água para resfriamento e área física quase dez vezes maior que a da Cidade do México. Estima-se que o consumo hídrico da IA possa superar o volume de água potável utilizado pela população mundial em um ano.
Concentração geopolítica
O relatório destaca ainda a concentração da infraestrutura de nuvem para IA em apenas 32 países, com 90% da capacidade nos Estados Unidos e na China. Essa distribuição assimétrica faz com que nações desenvolvidas concentrem o poder computacional, enquanto outros territórios arcam com impactos ambientais, desde a extração de minerais até o descarte de resíduos eletrônicos.
Variação de custos por aplicação
De acordo com o documento, gerações de texto, síntese de imagens, produção de vídeo e codificação apresentam diferentes demandas energéticas. Modelos distintos podem oferecer resultados semelhantes, mas com pegadas ambientais variadas, o que reforça a importância das escolhas de design e operação dos sistemas.
Recomendações da ONU
Para orientar governos e empresas, a ONU sugere princípios como transparência, eficiência desde a concepção, responsabilidade em todo o ciclo de vida, equidade, cooperação internacional e uso sustentável de recursos. Entre as ações recomendadas estão relatórios ambientais regulares durante o desenvolvimento e operação de sistemas de IA e a inclusão de projeções de demanda tecnológica no planejamento energético e climático.
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Casos internacionais
O texto cita Nova Zelândia e Austrália como exemplos de implementação de IA no setor público, com transcrição de acervos audiovisuais e automatização de processos, mas alerta para a adoção de regulamentações gerais que podem deixar de lado o impacto ambiental.
O relatório conclui que, sem políticas regulatórias mais rigorosas e sem limitação do uso de recursos naturais, a próxima década trará um crescimento acelerado no consumo de energia e água, questionando se a inovação será suficiente para mitigar esses efeitos.
Com informações de Hardware

