A Petrobras afirma ter acumulado mais de US$ 200 milhões em ganhos financeiros com a aplicação de gêmeos digitais em suas refinarias. Em operação desde 2016, essa tecnologia hoje abrange toda a cadeia de óleo e gás da estatal, com uso que varia da simulação de reservatórios à otimização de processos em refinarias e projetos de engenharia.
De acordo com Cassiano Ebert, gerente executivo de Tecnologia da Informação e Telecomunicações da Petrobras, os gêmeos digitais deixaram de ser meras ferramentas de teste para integrar a estratégia de transformação digital da companhia. Além de permitir a antecipação de falhas e a minimização de riscos, os modelos digitais também são empregados no treinamento de equipes e devem evoluir para incorporar inteligência artificial.
Integração em toda a cadeia de valor
Os primeiros investimentos em gêmeos digitais começaram há dez anos, quando a estatal identificou o potencial de simular virtualmente operações antes da execução física. Atualmente, a tecnologia é aplicada de forma transversal, desde a modelagem de reservatórios e sistemas submarinos até as unidades de refino. Essa abordagem integrada facilita o monitoramento de ativos, acelera a tomada de decisões e melhora a confiabilidade operacional.
Os projetos variam em maturidade e são desenvolvidos sob medida, conforme as necessidades de cada ativo. Para isso, a Petrobras combina equipes internas com parcerias estabelecidas por meio do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação (Cenpes), envolvendo universidades, institutos de pesquisa, empresas de tecnologia e startups.
Resultados financeiros e capacitação de equipes
Segundo Ebert, a incorporação dos gêmeos digitais nas rotinas de operação e a adoção de uma estratégia de gestão da mudança foram essenciais para garantir os ganhos. Os modelos digitais permitem identificar problemas antes que provoquem paradas não planejadas, reduzindo riscos e evitando perdas de produção. Dessa forma, a companhia aumentou a disponibilidade dos ativos e colocou recursos adicionais em caixa.
Além dos benefícios econômicos, a tecnologia é usada em programas de formação de novos funcionários e reciclagem de profissionais. Os treinamentos virtuais reproduzem situações de segurança operacional, preparando as equipes para atuar com maior eficiência e segurança quando chegam às plantas.

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Próxima fase com inteligência artificial
Com o uso consolidado, a Petrobras já planeja a evolução dos gêmeos digitais para os chamados Smart Twins. A ideia é incorporar algoritmos de inteligência artificial capazes de analisar os dados operacionais, gerar recomendações e otimizar parâmetros de forma autônoma, sempre mantendo a supervisão humana em decisões críticas.
Para os próximos anos, a estatal pretende ampliar ainda mais a adoção das soluções digitais, estendendo-as a outras áreas do negócio sem abrir mão do controle e da segurança operacional.
Com informações de Olhardigital


