Analista de mercado Ethan Tan, ex-executivo da Samsung na China, alerta para um novo ciclo de alta nos preços das memórias RAM. Segundo projeção da Jefferies Equity Research, os valores devem subir pelo menos 40% no terceiro trimestre fiscal de 2026 e sofrer uma nova valorização de cerca de 30% no trimestre seguinte, estendendo a tendência de alta ao longo de 2027. A estabilização dos preços só seria alcançada em 2028, conforme o aumento da oferta de semicondutores e queda da demanda das aplicações de inteligência artificial.
O cenário de escassez tem beneficiado as três maiores fabricantes globais de DRAM — Samsung, Micron e SK Hynix — que registraram crescimento de 85,8% na receita do último trimestre financeiro. Para consumidores e empresas, a elevação do custo da memória implica em aumentos nos preços de notebooks, desktops, videogames e cartões de memória nos próximos anos.
Crise de chips impulsionada por data centers de IA
O boom da inteligência artificial impulsionou a procura por módulos de memória destinados a data centers, fazendo com que as fabricantes priorizassem a produção de chips de alta capacidade. Com isso, a oferta de memórias voltadas ao mercado de consumo ficou mais restrita, repassando o aumento de custos aos usuários finais.
Entre os casos mais recentes está o reajuste de preços da Apple, que elevou valores de produtos como Mac Mini e Mac Studio ao eliminar opções com 256 GB de armazenamento e adotar modelos de 512 GB como padrão inicial. No Brasil, o MacBook Pro chegou a ficar até R$ 5 mil mais caro em alguns modelos.
Perspectivas e entrada de novos fornecedores
Para 2026, a produção de DRAM deverá crescer até 8%, mas essa oferta adicional não será suficiente para reduzir os valores praticados. A expectativa é que os preços cheguem a ficar até 45% acima dos níveis atuais em 2027. A previsão de normalização, com possível recuo de até 20%, está condicionada à ampliação da capacidade produtiva e à desaceleração da demanda por chips de IA, o que só ocorreria em 2028.

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Uma das alternativas para aliviar a escassez é a entrada de novos fabricantes, como a chinesa CXMT, cujos chips DDR5 já são considerados competitivos para computadores pessoais. A empresa, entretanto, ainda está na lista de restrições comerciais dos Estados Unidos, e a Apple teria solicitado junto ao governo americano a retirada da CXMT desse rol, na tentativa de ampliar a oferta e conter a alta dos preços.
Com informações de Tecnoblog


