Em 24 de junho de 2026, a Electronic Arts lançou a EA Advertising, nova plataforma que permite a inserção de mídia programática em seus principais títulos. O sistema dá a agências e profissionais de marketing a oportunidade de adquirir espaços publicitários em jogos globalmente reconhecidos usando as mesmas ferramentas da internet convencional, sem a necessidade de desenvolver projetos interativos específicos.
A proposta promete acessar uma audiência massiva ao disponibilizar outdoors virtuais, banners dinâmicos e anúncios em cenários esportivos, corridas ou modos de jogo variados. Para o setor publicitário, esse formato reduz barreiras de entrada e custos operacionais, pois elimina etapas de criação customizada, entregando visibilidade imediata aos anunciantes dentro do ambiente gamer.
No entanto, especialistas em negócios destacam um ponto crítico: muitos desses títulos operam sob modelo premium, no qual o usuário paga valor elevado pela cópia do jogo e realiza gastos recorrentes em recursos adicionais, como no modo Ultimate Team. A adição de anúncios dinâmicos nesse contexto configura uma cobrança dupla, já que o consumidor arca tanto com o preço do jogo quanto com propagandas inseridas durante sua experiência.
A comunidade de jogadores costuma reagir de forma rápida e severa. Em 2020, a EA retirou publicidades inseridas nas lutas de UFC 4 após boicote dos usuários. De forma semelhante, a franquia NBA 2K, da Take Two, conviveu com fortes críticas ao exibir peças publicitárias nas telas de carregamento, forçando a empresa a revogar as inserções. Nesses casos, a crise de imagem se desenrola em questão de horas.
Além dos games, plataformas de streaming como a Twitch enfrentam diariamente reclamações por interromper transmissões com blocos comerciais que quebram o ritmo das lives. Nessa dinâmica, a insatisfação recai diretamente sobre as marcas patrocinadoras, enquanto o criador de conteúdo é visto apenas como executor do intervalo.

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Consultores recomendam que gestores de verba publicitária atuem com cautela e evitem usar o público gamer como teste inicial para novos formatos. É fundamental monitorar as primeiras reações e validar se a inserção de anúncios se mostra orgânica e não intrusiva antes de ampliar investimentos.
As próximas reações dos jogadores ao inventário programático serão determinantes para definir se esse modelo de publicidade se estabelecerá de forma natural ou será rejeitado pelo mesmo público que já investe no valor inicial dos jogos.
Com informações de Olhardigital



