As remessas mundiais de computadores pessoais registraram uma retração de 4,9% no segundo trimestre de 2026, totalizando 68,2 milhões de unidades, segundo dados divulgados pela International Data Corporation (IDC). Este recuo interrompe uma sequência de nove trimestres consecutivos de alta nas vendas, iniciada em meados de 2024.
Escassez de memória e alta de preços
De acordo com a IDC, a escassez global de chips de memória continua sendo o principal fator por trás da desaceleração. A demanda crescente por aplicações de inteligência artificial fez com que fabricantes antecipassem estoques sempre que possível, pressionando ainda mais a oferta. Além dos módulos de memória, a falta de componentes de armazenamento e questões geopolíticas também contribuem para o encarecimento dos produtos.
Apesar da queda no volume de unidades, a receita das fabricantes segue em alta, uma vez que os custos adicionais são repassados aos consumidores de forma mais rápida que a redução na demanda. “O verdadeiro destaque aqui é o descompasso entre unidades e dólares: os embarques estão caindo, mas a receita está aumentando”, afirmou Jitesh Ubrani, diretor de pesquisa para dispositivos de consumo da IDC.
Perspectivas e impacto no ciclo de renovação
A consultoria projeta que a escassez de memória só deverá aliviar no início de 2028, o que inviabiliza uma nova rodada de antecipação de estoques. Com as condições macroeconômicas em deterioração, as empresas devem enfrentar uma desaceleração mais acentuada na segunda metade de 2026. Nesse cenário, o aumento contínuo de preços pode levar consumidores e corporações a postergar a atualização de equipamentos.
Outro efeito observado é a consolidação do mercado. Gigantes como Apple, Dell e Lenovo aproveitam sua escala em outras áreas, como servidores e smartphones, para garantir fornecimento de memória, dificultando a atuação de concorrentes menores, segundo Jean Philippe Bouchard, vice-presidente para dispositivos de consumo da IDC.
Apple se destaca em meio à retração
Enquanto a maioria das fabricantes viu seus embarques retrair, a Apple foi a única a crescer neste trimestre, com cerca de 800 mil unidades adicionais em comparação ao mesmo período de 2025. A participação de mercado da companhia subiu de 8,5% para quase 10%, impulsionada pelo lançamento do MacBook Neo.

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Reajustes de preço e caixa bilionário
Mesmo com o sucesso nas remessas, a Apple também elevou os preços de seus notebooks. Nos Estados Unidos, o MacBook Neo de entrada passou de US$ 600 para US$ 700, enquanto o modelo básico do MacBook Air foi de US$ 1,3 mil para valores superiores. No Brasil, o MacBook Neo custa a partir de R$ 8.499, e o MacBook Air sai por pelo menos R$ 15.999.
O CEO Tim Cook declarou que a oferta de componentes está abaixo da demanda e que é necessário normalizar preços e fornecimento de memória para atender o mercado. A empresa encerrou o trimestre com US$ 68,5 bilhões em caixa, um aumento de 41% na comparação anual, e mantém valor de mercado acima de US$ 4,6 trilhões.
Com informações de Olhardigital



