Pesquisadores propõem o uso de robôs inspirados na natureza para explorar redes de tubos de lava em Marte, estruturas subterrâneas formadas por antigas erupções vulcânicas e ainda pouco conhecidas.
Marte abriga tubos de lava subterrâneos
Em regiões como o nordeste da Califórnia, túneis de lava se formam quando o fluxo exterior esfria e endurece, enquanto o interior continua fluindo. Após a erupção, ficam passagens ocos e contínuos.
Estudos sugerem que Marte apresenta estruturas similares. O planeta preserva sistemas de túneis que podem chegar a mais de 1.200 km de extensão, com larguras superiores a 250 metros em alguns pontos.
Embora veículos como Curiosity e Perseverance da NASA coletem dados sobre o solo e o clima, esses rovers são grandes demais para penetrar em fendas estreitas ou descer cavernas profundas.
Segundo o pesquisador Mostafa Hassanalian, a dimensão dos robôs atuais impede o acesso ao subsolo, deixando grande parte dos tubos de lava fora do alcance direto dos equipamentos.
Tecnologia biomimética para exploração
Para superar essas limitações, cientistas desenvolvem drones ultraleves inspirados em sementes de dente-de-leão, capazes de ser carregados pelo ar e dispersar-se em ambientes confinados.
O projeto prevê o lançamento de um robô maior, apelidado de “tatuzinho-de-jardim”, que desceria pelos tetos das cavernas usando paraquedas e liberaria milhares de minidrones.
Durante o voo interno, os minidrones coletariam dados de temperatura, umidade e geometria, ajudando a construir mapas detalhados das redes subterrâneas marcianas.
Entre os desafios, está a circulação de ar nos túneis: sem correntes, o movimento dos drones pode ser prejudicado. Por isso, o estudo considera aberturas naturais e ventiladores internos como solução.
Imagem: Imagem ilustrativa
Outro ponto crítico é a geração de energia no interior das cavernas, onde a luz solar não alcança. A alternativa envolve piezoeletricidade, que produz eletricidade a partir de vibrações e movimentos mecânicos.
Os minidrones teriam superfícies brancas para refletir o calor e manter a temperatura ideal durante o voo dentro dos túneis.
Testes em cavernas terrestres
Para validar o conceito, as equipes realizam ensaios em cavernas vulcânicas na ilha de Lanzarote, na Espanha, que reproduzem condições similares às encontradas em Marte.
Na região de Tharsis, onde fica o Monte Olimpo, já foram detectadas aberturas que levam a sistemas de cavernas com temperaturas mais estáveis que a superfície, potencialmente favoráveis a microrganismos.
Com o avanço da tecnologia, a expectativa é que missões humanas alcancem Marte na década de 2030, quando robôs e drones poderão mapear tubos de lava e auxiliar a presença humana no planeta.
Com informações de Olhardigital