Empregados das áreas de celulares, TVs e eletrodomésticos da Samsung agendaram um ato de protesto na Coreia do Sul para repudiar a diferença de pagamentos de bônus entre as divisões da companhia. A mobilização está marcada para o dia 16 de julho nas proximidades da sede em Suwon e foi convocada pelo sindicato da Device Experience (DX), que reúne cerca de 28 mil integrantes.
O principal motivo da insatisfação é o bônus projetado para 2026: enquanto os profissionais da divisão de semicondutores (Device Solutions, DS) podem receber até 600 milhões de won (aproximadamente R$ 2 milhões), os funcionários da DX terão um pagamento em ações equivalente a 6 milhões de won (cerca de R$ 20,4 mil).
Quem participa e por que
O protesto deverá reunir entre 2 mil e 3 mil trabalhadores. Os membros da DX defendem que o acordo fechado com a divisão de chips, após a ameaça de greve, resultou em vantagens financeiras muito superiores, criando um ambiente de “tratamento desigual” durante as negociações salariais deste ano.
Histórico do impasse
Em junho, a Samsung acordou com o sindicato da DS a criação de um fundo de bônus equivalente a 10,5% do lucro operacional anual da unidade de semicondutores. Grande parte desse montante será paga em ações da empresa, uma condição que evitou paralisações em um setor considerado estratégico, diante da forte demanda por memórias DRAM, HBM e NAND.
Na última ação de protesto, funcionários da DX compareceram ao trabalho vestidos de preto, segundo relato do portal GSMArena. Agora, eles planejam um novo ato durante as conversas sobre reajuste salarial, reforçando o apelo por maior equidade entre as áreas.
Impacto nos resultados da Samsung
O desempenho do braço de semicondutores tem impulsionado significativamente os resultados da Samsung. A companhia deve divulgar em breve os números do segundo trimestre, com expectativa de crescimento expressivo no lucro operacional, influenciado pela recuperação do mercado de chips de memória e pela demanda por tecnologias de inteligência artificial.

Imagem: Ap
Estimativas apontam que a receita anual da Samsung pode alcançar US$ 217 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão) em 2026, montante recorde que supera a soma dos últimos 40 anos. Enquanto isso, as divisões de consumo enfrentam pressões devido ao aumento dos preços de produtos eletrônicos e à escassez de componentes, cenário que reforça o descontentamento dos trabalhadores da DX.
O protesto de 16 de julho será mais um capítulo na disputa interna por reconhecimento e distribuição de ganhos, alinhando-se ao calendário de negociações salariais de 2026.
Com informações de Tecnoblog


