Dezenas de formandos da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, deixaram a cerimônia de graduação no momento em que o CEO do Google, Sundar Pichai, subiu ao púlpito para fazer seu discurso de ordenatura. O ato ocorreu em 14 de junho de 2026 e foi organizado como protesto contra contratos do Google com governos, sobretudo os que envolvem tecnologias de inteligência artificial.
Protesto liderado por grupo estudantil
Cerca de 200 alunos se retiraram do local carregando cartazes com mensagens críticas. Entre as frases exibidas estava “ICE espiona com a IA do Google”, em referência ao U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE). A mobilização foi convocada pelo coletivo Stanford Students for Justice in Palestine (SJP), com apoio de outras organizações como No Tech for Apartheid, segundo o veículo local SFGate.
Silêncio e reconhecimento de desafios
Durante o protesto, o evento seguiu sem interrupções. Sundar Pichai evitou comentários políticos diretos, mas mencionou os “tempos difíceis” enfrentados pela turma. “Toda geração enfrentou dificuldades à sua maneira. Nós não escolhemos o mundo em que nos graduamos, mas podemos escolher como enquadramos as circunstâncias”, afirmou o executivo, que também fez um trocadilho com as duas últimas letras de seu sobrenome — AI, sigla em inglês para inteligência artificial.
Onda de manifestações contra IA
O episódio em Stanford se soma a outras ações recentes de universitários contrários ao destaque das ferramentas de IA. No mês anterior, o ex-CEO do Google, Eric Schmidt, foi vaiado durante formatura na Universidade do Arizona ao comparar o momento atual com o surgimento dos computadores pessoais há quatro décadas.
O presidente da Microsoft, Brad Smith, já havia alertado líderes de tecnologia a não subestimarem as preocupações dos jovens, que veem a IA como concorrente no mercado de trabalho. “Estudantes e formandos reconhecem os benefícios da IA. Mas querem que ela permaneça em seu devido lugar”, declarou Smith em evento setorial.
Imagem: Imagem ilustrativa
A reação dos estudantes também reflete cortes de pessoal em grandes empresas de tecnologia destinados a redirecionar recursos para projetos de inteligência artificial. Neste ano, a Microsoft lançou um programa de desligamento voluntário para até 8.750 funcionários, ao passo que expande a construção de data centers, inclusive fora dos Estados Unidos.
As manifestações em Stanford evidenciam um descontentamento crescente sobre o papel da IA na sociedade e nos contratos de empresas de tecnologia com governos, deixando clara a insatisfação de parte da nova geração de formandos.
Com informações de Tecnoblog
