Um novo relatório da Organização das Nações Unidas revela que a rápida expansão da inteligência artificial (IA) pode elevar seu consumo de eletricidade a patamares críticos nas próximas décadas. Segundo o estudo, se nada mudar, a demanda global por energia ligada à IA poderá dobrar até 2030, chegando a representar cerca de 3% de toda a eletricidade produzida no mundo.
Projeções de consumo e emissões
O documento da ONU estima ainda que, até o final da década, as operações de IA emitirão gases de efeito estufa em volume comparável às emissões anuais do Reino Unido. Além disso, o uso de água para resfriar servidores deve superar o total de água potável consumida pela população mundial em um ano.
Essas estimativas apoiam-se no paradoxo de Jevons, teoria econômica do século XIX que demonstra que ganhos de eficiência podem acelerar o uso de um recurso em vez de reduzi-lo. Quando um insumo se torna mais barato e eficiente, a aplicação tende a se expandir, compensando – ou mesmo superando – os benefícios iniciais.
Impacto em data centers e recursos
Em 2025, os data centers já consumiram quantidade de eletricidade equivalente à usada pela Arábia Saudita, um dos maiores consumidores mundiais. Mantido o ritmo de crescimento, seriam necessárias cerca de 6,7 bilhões de árvores plantadas ao longo de dez anos para neutralizar as emissões geradas.
Além da energia, a infraestrutura exigirá aproximadamente 9,3 trilhões de litros de água e uma área física quase dez vezes maior que a Cidade do México para abrigar novos equipamentos.
Concentração global da IA
O relatório aponta que apenas 32 países hospedam sistemas de computação em nuvem dedicados à IA e que cerca de 90% dessa capacidade está concentrada nos Estados Unidos e na China. Esse desequilíbrio pode agravar a divisão digital, deixando nações menos desenvolvidas restritas ao papel de consumidoras, muitas vezes arcando com os impactos ambientais da extração de minérios e do descarte de lixo eletrônico.
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Recomendações da ONU
Para orientar o uso sustentável da IA, a ONU propõe princípios como transparência, eficiência desde a concepção, responsabilidade ao longo do ciclo de vida, equidade, cooperação internacional e aproveitamento racional de recursos naturais. Entre as ações sugeridas estão a elaboração de relatórios ambientais regulares e a inclusão de projeções de demanda de IA nos planejamentos energéticos e climáticos nacionais.
O documento também destaca iniciativas na Nova Zelândia e na Austrália, onde estruturas regulatórias leves orientam a adoção da IA no setor público, mas alertam para a necessidade de integrar metas ambientais às políticas de tecnologia.
Com informações de Olhardigital
