Pesquisadores do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, na Alemanha, identificaram uma região de resfriamento no Atlântico Norte que contraria a tendência geral de aquecimento global. Localizada ao sul da Groenlândia e da Islândia, essa área apresenta queda de temperatura média da superfície do mar ao longo dos últimos 150 anos e recebeu o apelido de “mancha fria”.
O estudo, publicado na revista Geophysical Research Letters (doi:10.1029/2025GL118383), analisou registros obtidos por satélites, boias oceânicas e embarcações. As observações foram confrontadas com modelos climáticos utilizados pela comunidade científica para compreender a dinâmica dos oceanos.
Como funciona a AMOC
A Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC) é um sistema de correntes que transporta águas quentes e salgadas das regiões tropicais para altas latitudes no Atlântico Norte. Ao atingir áreas próximas ao Ártico, essas águas liberam calor para a atmosfera, tornam-se mais densas e afundam, retornando ao sul por camadas profundas do oceano.
Causas da “mancha fria”
Segundo os autores, o resfriamento observado até mil metros de profundidade não pode ser explicado apenas pela troca de calor com a atmosfera. O principal fator associado é o enfraquecimento da AMOC, motivado pelo aumento do volume de água doce proveniente do derretimento das geleiras da Groenlândia. A diluição da salinidade altera a densidade das correntes e compromete o transporte de calor para a região.
Consequências e alertas
A persistência da “mancha fria” é considerada um sinal de redução da capacidade da AMOC em levar calor ao Atlântico Norte. Embora o estudo não determine o quão próximo o sistema está de um ponto de inflexão, os resultados reforçam hipóteses levantadas em pesquisas anteriores sobre alterações importantes na circulação oceânica.

Imagem: NASA
Especialistas apontam que um enfraquecimento acentuado ou eventual colapso da AMOC pode provocar resfriamento em partes da Europa, mudanças nos regimes de chuva em várias regiões do planeta e elevação do nível do mar ao longo da costa leste dos Estados Unidos. A ideia de interrupção abrupta das correntes ganhou visibilidade cultural com o filme “O Dia Depois de Amanhã”, lançado em 2004, ainda que a velocidade dos efeitos na ficção seja exagerada.
Os autores do estudo consideram que as evidências de enfraquecimento da AMOC merecem atenção de cientistas, governantes e formuladores de políticas climáticas, dado o papel crucial desse sistema na regulação do clima global.
Com informações de Olhardigital

