O Ministério da Saúde anunciou em 8 de junho a suspensão temporária da vacinação contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão, divulgada em coletiva com a participação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do próprio Butantan, ocorre após o registro de 42 casos de reações adversas graves, entre eles duas mortes que ainda estão sendo apuradas.
Segundo o ministro Alexandre Padilha, cerca de 500 mil doses do imunizante já haviam sido aplicadas quando as manifestações atípicas começaram a ser relatadas pelas equipes de saúde. De acordo com o governo federal, algumas dessas reações não constavam nos estudos clínicos conduzidos antes da liberação do produto.
Detalhes das reações e investigação
Padilha informou que foram identificados oito episódios graves para cada 100 mil doses administradas, número que motivou a interrupção cautelar da campanha. “Por mais que para muitas pessoas esse número possa parecer pequeno, é um sinal de alerta que nos recomenda a descontinuidade temporária da atual estratégia de vacinação até que sejam concluídas todas as investigações necessárias”, declarou o ministro.
O governo destaca que ainda não há confirmação de relação causal entre as manifestações adversas, inclusive as mortes, e a vacina. As investigações serão conduzidas em conjunto pelo Ministério da Saúde, Anvisa e Instituto Butantan, com foco nos casos registrados, possíveis fatores de risco, além de aspectos ligados ao armazenamento, transporte e aplicação das doses.
Imunizados e armazenamento das doses
A vacina do Butantan é a primeira produzida integralmente no Brasil e a primeira de dose única contra a dengue no mundo. Antes da aprovação, ela passou por ensaios clínicos com milhares de voluntários, que apontaram segurança e eficácia.
Imagem: Imagem ilustrativa
Até o momento, o imunizante foi aplicado principalmente em profissionais de atenção primária à saúde e em ações específicas realizadas em Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Ibaranguá (CE) e na região do Araguaia, no Tocantins. As doses já distribuídas não serão descartadas e devem permanecer armazenadas em redes de frio até o término dos levantamentos.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias fiquem atentas a qualquer sintoma e procurem atendimento caso apresente reação adversa. A pasta reforça que os dados de eficácia indicam proteção contra os quatro sorotipos do vírus e que a retomada da imunização dependerá dos resultados das análises em curso.
Com informações de Olhardigital