Pesquisadores que utilizam dados do Sloan Digital Sky Survey e da missão Gaia descobriram que a Via Láctea passou por uma colisão massiva entre 8 e 11 bilhões de anos atrás e, atualmente, encontra-se sob influência gravitacional da Grande Nuvem de Magalhães. O estudo, publicado em The Astrophysical Journal Letters, mapeou movimentos e composições químicas de bilhões de estrelas para traçar a evolução estrutural da galáxia.
Conduzida por astrônomos como Vasily Belokurov, a investigação identificou populações estelares com origem externa, apelidadas de “migrantes”. Essas estrelas apresentam trajetórias atípicas em comparação às nascidas no disco galáctico, indicando que foram incorporadas durante fusões com galáxias menores.
Evidências de fusão antiga
Um dos principais vestígios desse evento primordial é a estrutura conhecida como Gaia-Sausage-Enceladus. Segundo os autores, essa formação resulta do remanescente de uma galáxia que colidiu com a Via Láctea há bilhões de anos, provocando o alargamento do disco e a dispersão de parte das estrelas para regiões mais exteriores.
Além de remodelar o disco estelar, a fusão teria afetado também o halo de matéria escura que envolve a galáxia. A deformação desse halo invisível é considerada fundamental para compreender a estabilidade e o formato gravitacional atuais da Via Láctea.
Interação atual com a Grande Nuvem de Magalhães
Após um longo período de tranquilidade dinâmica, a galáxia retoma um processo de transformação devido à atração exercida pela Grande Nuvem de Magalhães. De acordo com a análise, essa pequena galáxia satélite causa distorções graduais no halo escuro da Via Láctea e altera seu equilíbrio interno.
O estudo alerta que, embora o impacto ocorra de forma gradual, a intensidade dessa interação pode aumentar no futuro, sugerindo a possibilidade de um novo episódio de fusão ou perturbação estrutural.
Imagem: Leonel Padrón via Capture the Atlas
Para os cientistas, galáxias não são sistemas estáticos, mas entidades em constante reorganização. Ao examinar padrões de movimento e composição química de estrelas, o trabalho reafirma que a história da Via Láctea inclui múltiplos encontros cósmicos, tanto passados quanto em curso.
As descobertas reforçam a importância da matéria escura na formação e evolução galáctica e indicam que as transformações na Via Láctea prosseguem, sob o olhar atento das missões astronômicas.
Com informações de Olhardigital