O governo brasileiro informou nesta segunda-feira (15) que não irá endossar o texto em debate entre os países do G7 sobre a exploração e o desenvolvimento de minerais críticos e terras raras. A decisão foi antecipada pelo portal da CNN Brasil, com base em apuração de Américo Martins junto a representantes do Palácio do Planalto.
A proposta, apresentada durante a cúpula realizada em Évian-les-Bains, na França, prevê a criação de mecanismos de cooperação para garantir o acesso a insumos estratégicos, fundamentais para a transição energética, a indústria de tecnologia e a produção de equipamentos militares.
Segundo o governo brasileiro, o texto não atende aos interesses prioritários do país, pois pode reforçar uma divisão internacional em que nações como o Brasil permaneçam apenas como exportadoras de matérias-primas, sem avanços significativos na industrialização e na agregação de valor aos recursos extraídos.
Em nota, a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva destaca a defesa de parcerias abertas a todos os mercados, sem “reservas”, e a necessidade de investimentos diretos no desenvolvimento da cadeia produtiva nacional, garantindo geração de empregos e inovação tecnológica dentro do Brasil.
Embora o Brasil não faça parte do G7 e, portanto, não tenha participado da redação do documento nem possa sugerir emendas, poderia endossar formalmente a declaração ao final da reunião de líderes. No entanto, o governo tornou público que esse apoio não será concedido.
Compromissos de Lula na cúpula
Na terça-feira (16), o presidente Lula terá duas reuniões bilaterais com foco em comércio exterior. O primeiro encontro será com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, quando deve ser anunciada a abertura de negociações para um acordo de livre comércio entre o Japão e o Mercosul.

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Logo em seguida, o presidente brasileiro se encontrará com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para tratar, entre outros assuntos, das recentes restrições sanitárias da União Europeia à importação de carne bovina brasileira.
Também nesta terça-feira, Lula fará seu primeiro discurso diante dos chefes de Estado do G7, em sessão dedicada ao financiamento de países em desenvolvimento. A expectativa é que ele critique a redução recente da ajuda internacional às nações do Sul Global e defenda maior comprometimento das economias ricas, contrapondo os elevados gastos com armamentos à urgência de combater a fome.
Com informações de Olhardigital
