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Americano paralisado por ELA retoma comunicação com implante cerebral

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Casey Harrell, cidadão norte-americano diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), conseguiu restabelecer a comunicação verbal graças a um dispositivo de Interface Cérebro-Computador (ICC) implantado em seu cérebro. De acordo com pesquisadores da Universidade da Califórnia, trata-se do primeiro caso de “usuário intensivo” dessa tecnologia voltada à geração de fala.

Em estudo publicado na revista Nature Medicine, os cientistas informaram que Harrell utilizou o sistema por mais de 3.800 horas em casa, nos 22,6 meses seguintes ao implante, sem a presença de pesquisadores. “Com uma doença como a ELA, você pode pensar que seus sonhos são limitados. Mas esse não é o meu caso; mesmo que apenas uma das minhas habilidades melhore, já é um milagre. Ter tudo isso, e muito mais, é verdadeiramente revolucionário para mim”, afirmou o paciente.

Procedimento cirúrgico e funcionamento do sistema

Em julho de 2023, Harrell passou por um procedimento de cinco horas para a implantação de quatro arrays de 64 eletrodos cada. Dois pares foram conectados a interfaces externas fixadas ao crânio, permitindo a transmissão dos sinais neurais a um computador. Essa infraestrutura viabiliza a decodificação de pensamentos em fonemas, que são combinados para formar palavras.

O desenvolvimento dos algoritmos, conduzido por uma equipe liderada por David Brandman e pelo neurocientista Sergey Stavisky, foca na região do córtex motor responsável pelos movimentos da fala. Conforme explicou Nicholas Card, também membro do projeto, “existem 39 fonemas que compõem todos os sons do inglês americano”. A partir dessa base, é possível converter as atividades neurais primeiramente em fonemas e, em seguida, em texto ou áudio.

Logo no primeiro dia de testes, Harrell comunicou-se usando um vocabulário inicial de cerca de 50 palavras, com taxa de precisão de 99,6%. Nas semanas seguintes, esse repertório foi ampliado para 125 mil termos, mantendo um índice de acerto de 97,5%.

Desafios e perspectivas

Apesar dos avanços, os especialistas alertam que a tecnologia pode não apresentar o mesmo desempenho para todos os pacientes com ELA. O pesquisador Vansteensel destaca que a progressão da doença e a formação de tecido cicatricial ao redor dos eletrodos podem limitar a eficácia a longo prazo. Em outro caso, um sistema similar funcionou por sete anos antes de perder eficiência.

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Imagem: Imagem ilustrativa

Além disso, a invasividade do procedimento cirúrgico inibe a adoção em massa. “Pessoas com doenças progressivas como a ELA geralmente não querem ser hospitalizadas”, observou a pesquisadora Jane Huggins, da Universidade de Michigan.





Para Harrell, no entanto, os benefícios superam as dificuldades. Com o implante, ele voltou a ler livros para a filha, navegar na internet e manter suas atividades profissionais, garantindo renda e plano de saúde para a família. “Isso me permitiu continuar trabalhando, ganhando renda e mantendo o plano de saúde da minha família. Me ajudou a me reconectar com amigos e parentes que antes eram tímidos ou ansiosos demais para me visitar porque não conseguiam entender o que eu dizia.”

Com informações de Hardware

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Robson Lemes

Robson Lemes é especialista em tecnologia e criador de conteúdo focado em inovação, robótica e inteligência artificial. Como editor do Tecnologia Top, é responsável por trazer análises diárias e notícias de última hora sobre o mundo digital, sempre prezando pela precisão técnica e pelas diretrizes de transparência do jornalismo tecnológico.

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