Uma pesquisa conduzida pela Universidade Brown (EUA) concluiu que a vacina Shingrix, destinada à prevenção do herpes-zóster, está associada a uma queda de 24% na incidência de demência entre idosos. O levantamento avaliou 509.926 residentes em instituições de cuidado prolongado, com registros de janeiro de 2017 a dezembro de 2022 e acompanhamento de até quatro anos.
Dados do estudo
Dos participantes que receberam a Shingrix até 12 meses após a admissão, 18,8% foram diagnosticados com demência durante o período de observação. Naquele grupo que não foi vacinado, o índice subiu para 24,6%. Na prática, isso significa que a cada 17 pessoas vacinadas, um caso de demência poderia ser prevenido.
Motivos da escolha do público
A seleção de pacientes recém-ingressos em lares de longa permanência teve como objetivo adotar um ponto de partida clínico estável e comparável entre os voluntários. Além disso, esse segmento apresenta maior vulnerabilidade tanto ao herpes-zóster quanto aos transtornos cognitivos, em razão da idade avançada e do estado geral de saúde.
Adesão vacinal e histórico
Apesar de abranger mais de meio milhão de pessoas, apenas 8.843 delas receberam a Shingrix no período analisado. O número evidencia a necessidade de ampliar a cobertura vacinal. A Shingrix substituiu gradualmente a Zostavax em diversos países e já havia sido relacionada, em estudos anteriores, a menor ocorrência de demência.
Hipóteses para o efeito protetor
Os pesquisadores apresentam duas explicações possíveis para a associação. Uma delas é que a proteção contra o herpes-zóster reduz episódios de neuroinflamação e, consequentemente, o risco de acidentes vasculares cerebrais. A outra considera uma eventual modulação do sistema imunológico capaz de trazer benefícios diretos ao cérebro.

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Limitações e recomendações
Por se tratar de análise observacional, não é possível estabelecer relação de causa e efeito de forma definitiva. O estudo também enfrenta possíveis vieses de seleção, já que indivíduos mais atentos à saúde podem ter maior probabilidade de se vacinar. A pesquisa foi financiada pela GlaxoSmithKline, responsável pela Shingrix, porém a empresa não participou do roteiro, da análise de dados ou da publicação.
Nos Estados Unidos, o CDC recomenda a vacinação contra herpes-zóster para adultos maiores de 50 anos. Segundo os autores, a admissão em locais de cuidado prolongado representa uma oportunidade para checar e atualizar o esquema vacinal desses pacientes.
Com informações de Olhardigital


