Uma estimativa divulgada em junho indica que o lucro da divisão de smartphones da Samsung no segundo trimestre de 2026 pode corresponder a apenas 1% do resultado da área de semicondutores no mesmo período. O alerta foi feito pelo tipster Ice Universe em publicação no X, repercutida pela Wccftech, e sugere até prejuízo na operação móvel.
Desigualdade interna entre negócios
Impacto nos bônus dos funcionários
O contraste entre as áreas fica claro nos bônus esperados para 2026. Com projeção de lucro operacional em torno de 300 trilhões de won (aproximadamente R$ 1 trilhão), a divisão de semicondutores fechou acordo para distribuir 10,5% desse valor, resultando em cerca de 600 milhões de won por empregado da memória (US$ 400 mil, ou R$ 2 milhões). Já a equipe de mobile terá bonificação aproximada de 6 milhões de won (US$ 4 mil, ou R$ 20 mil), 100 vezes menor.
“Chipflation” e escassez de memória
A alta nos preços de DRAM, apelidada de “chipflation” ou “RAMpocalypse”, decorre do redirecionamento de capacidade para memória de alta largura de banda voltada a aplicações de inteligência artificial. Com oferta reduzida para dispositivos de consumo, os valores dispararam: segundo a Morgan Stanley, o custo da memória subiu mais de seis vezes em um ano. Até a Apple, por meio do CEO Tim Cook, reconheceu o impacto no aumento de preços.
Aumento nos preços dos dobráveis
Em razão desse cenário, a Samsung planeja reajustar a linha Galaxy Z Fold 8 e Z Fold 8 Ultra. De acordo com o vazador Anthony, os modelos deverão sofrer elevação de preço nas regiões da Europa e Ásia. O Z Fold 8 Ultra pode ultrapassar € 1.999 (cerca de R$ 11.800), mais de € 100 acima da previsão anterior.
Vendas elevadas, lucro pressionado
Apesar do desafio de rentabilidade, as vendas da linha Galaxy seguem fortes. O Galaxy S26 Ultra registrou recorde de pré-venda na Coreia do Sul, com desempenho 25% superior ao S25 nos EUA e 20% acima na Europa. No primeiro trimestre, a IDC apontou a Samsung como líder global, com 62,8 milhões de unidades enviadas. Porém, a Counterpoint estima que o custo de componentes em um smartphone topo de linha acima de US$ 800 tenha subido entre US$ 100 e US$ 150, com RAM respondendo por 23% e armazenamento por 18% desse montante. O encarecimento de chipsets de alto desempenho adiciona pressão sobre as margens.

Imagem: Imagem ilustrativa
Repercussão para o consumidor brasileiro
No Brasil, onde a Samsung detém cerca de 50% do mercado nacional, aumentos de preço tendem a repercutir em toda a cadeia. Segundo Rafael Aquino, diretor da Samsung Brasil, os modelos de entrada são os mais afetados, pois têm sensibilidade maior ao custo. Na Índia, o Galaxy A07 5G já subiu 42%. Se repetir-se o mesmo movimento por aqui, um aparelho que custa em torno de R$ 600 pode chegar a aproximadamente R$ 1.300.
Com informações de Mundoconectado


