O Telescópio Espacial Hubble capturou pela primeira vez a luz ultravioleta emitida pela galáxia MXDFz4.4, situada a aproximadamente 12,37 bilhões de anos-luz de distância, período em que o universo ainda estava coberto por hidrogênio neutro. A observação desafia a expectativa de que a densa “névoa” bloqueasse totalmente esse tipo de radiação.
Galáxia MXDFz4.4 e a Era da Reionização
Localizada por meio do instrumento MUSE, instalado no Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul, a MXDFz4.4 apresenta desvio para o vermelho (redshift) de 4,4, o que corresponde a um momento cerca de 1,4 bilhão de anos após o Big Bang. Naquela época, o universo passava pela chamada Era da Reionização, quando o hidrogênio neutro foi progressivamente ionizado, permitindo que os fótons ultravioleta atravessassem longas distâncias.
Impulso das estrelas massivas
Embora cerca de 100 vezes menor que a Via Láctea, a MXDFz4.4 forma estrelas numa taxa dez vezes superior à da nossa galáxia. Grande parte dessa atividade ocorre num aglomerado compacto de estrelas jovens e quentes, apontado como o principal responsável pela produção de radiação capaz de romper o gás opaco que dominava o cosmos.
“O aglomerado contém muitas estrelas jovens, quentes e massivas em um espaço reduzido, [que] são mais eficazes em romper o gás opaco.”
Ilias Goovaerts, do Space Telescope Science Institute (STScI)
Comparação entre Hubble e James Webb
Em 2023, o James Webb já havia identificado outra galáxia emissora de radiação ionizante, mas não havia fornecido evidências diretas de fótons ultravioleta escapando de um objeto tão distante. O Hubble, por sua vez, detectou claramente essa luz proveniente da MXDFz4.4, oferecendo detalhes inéditos sobre sua composição e intensidade.

Imagem: Imagem ilustrativa
Os pesquisadores observaram que o sistema passou por surtos sucessivos de formação estelar, cada geração contribuindo para aumentar o fluxo de fótons capazes de dissociar o hidrogênio neutro. Esse processo em etapas parece ter sido fundamental para tornar o universo transparente.
“Os astrônomos encontraram muitas galáxias nessa fase da história do universo, mas não detectamos fótons ionizantes de nenhuma delas, o que torna a MXDFz4.4 única”, afirmou Marc Rafelski, vice-chefe da missão Hubble no STScI.
Mesmo após mais de três décadas em operação, o Hubble continua a oferecer descobertas que ampliam o conhecimento sobre os primeiros estágios do cosmos e os mecanismos que permitiram a passagem da luz no universo primitivo.
Com informações de Olhardigital


