Empresas como Amazon, Google, Microsoft e Meta intensificam a competição pelo fornecimento de energia elétrica necessário à expansão acelerada de seus data centers dedicados à inteligência artificial (IA). A disputa, que foi transmitida pelo Space no YouTube, reforça que o acesso a eletricidade se tornou tão crucial quanto a qualidade dos modelos de IA.
Consumo atual e projeções
De acordo com dados da Aterio compilados pelo Wall Street Journal, a Amazon lidera o ranking de consumo, com capacidade instalada para até 9 gigawatts (GW) em seus próprios data centers. Esse volume equivale à geração total do estado da Dakota do Norte (EUA). Em comparação, Microsoft e Google operam instalações com cerca de 5 GW cada, enquanto a Meta atinge aproximadamente 4 GW.
Estimativas da Aterio apontam que, até 2030, a Amazon deverá acrescentar o maior volume absoluto de capacidade energética e novos centros de dados. O Google, porém, deve registrar a taxa de expansão mais acelerada, sobretudo ao considerar espaços alugados em operadoras terceirizadas.
Infraestrutura como diferencial estratégico
Para Rudolf Buhler, do Instituto Mauá de Tecnologia, a corrida vai além dos algoritmos: “O que está em jogo é quem vai fornecer a infraestrutura que outras empresas, governos e desenvolvedores vão usar para rodar suas próprias aplicações de IA.” Kenneth Corrêa, da FGV, acrescenta que hoje a disputa envolve “o controle de toda a infraestrutura digital”.
Eduardo Barros, CEO da IDK Brasil, compara a IA a recursos essenciais: “Ela vem como energia elétrica e como água… vai se tornar algo fundamental para toda a humanidade.”
Gargalos e soluções energéticas
Relatório da Columbia Business School destaca a energia como principal entrave à expansão de data centers nos EUA. Em 2024, essas instalações consumiram cerca de 400 terawatts-hora (TWh) – 1,5% da eletricidade global – com previsão de alcançar 1 000 TWh (3% do total) até 2030, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
As big techs avançam na construção de data centers muito além da capacidade de ampliação das redes elétricas locais. “Não basta ter o melhor algoritmo se você não tem onde rodá-lo”, observa Buhler. Corrêa reforça: “O gargalo estratégico de hoje não é mais escrever código que funcione, mas sim manter o servidor ligado na tomada.”

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Estratégias divergentes
Sergio Toro, da Aterio, explica que a Amazon investe em expansão própria, priorizando confiabilidade e custo. Foi a primeira a assinar contrato de compra de energia de usina nuclear em operação. Em seguida, Microsoft, Google e Meta firmaram acordos similares com usinas nucleares desativadas ou em descomissionamento.
Simultaneamente, há investimentos em reatores modulares pequenos, usinas geotérmicas, baterias avançadas e até estudo de transmissão de energia solar do espaço. Juntas, Amazon, Microsoft, Google e Meta respondem por mais da metade dos novos contratos corporativos de compra de energia renovável nos EUA.
Critérios para definir líderes
Especialistas avaliam que vencerá quem dominar a construção, o licenciamento e a operação eficiente da infraestrutura de IA, transformando investimentos em receitas recorrentes. Corrêa destaca que a vantagem será de quem controlar toda a cadeia, do hardware ao serviço final, além de oferecer base para redes de agentes de IA.
Com informações de Olhardigital

