O iFood apresentou em junho de 2026 ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) um pedido para aprofundar a apuração das práticas comerciais da 99Food, controlada pela DiDi, e da Keeta, plataforma da chinesa Meituan. A companhia brasileira acusa as concorrentes de operar com subsídios agressivos para atrair usuários e restaurantes.
De acordo com a petição anexada ao processo de Acompanhamento de Mercado aberto em novembro de 2025, a 99Food e a Keeta mantêm ofertas como frete grátis, cupons em grande volume e comissões zeradas para estabelecimentos, chegando a atuar abaixo do custo real. Segundo o iFood, essa estratégia gera competição artificial e prejudica provedores locais que não dispõem de aporte financeiro semelhante.
Petição cita prejuízos e práticas internacionais
No documento encaminhado ao Cade, o iFood destaca que a operação da DiDi no Brasil registrou prejuízo líquido de US$ 470 milhões (aproximadamente R$ 2,4 bilhões) no quarto trimestre de 2025, valor quatro vezes superior ao do mesmo período de 2024. A previsão é que as perdas alcancem US$ 1,47 bilhão (R$ 7,6 bilhões) em 2026. Já a Meituan contabilizou US$ 3,4 bilhões (R$ 17,6 bilhões) de prejuízo anual em 2025, segundo o iFood, resultado que inclui dispêndios na guerra de preços na China e investimentos na Keeta no Brasil.
O iFood também menciona exemplos em outros mercados: a saída da Deliveroo de Hong Kong em abril de 2025 após a chegada agressiva da Keeta; a falência da Cari no Kuwait em dezembro de 2025; o desligamento da Deliveroo no Catar; e o encerramento das operações do Shgardi na Arábia Saudita no mesmo ano.
Cade poderá solicitar dados de custos e preços
Na solicitação ao Cade, o iFood sugere que as duas plataformas apresentem detalhamento de suas estruturas de custos e tabelas de preços praticados no país. O objetivo é identificar indícios de venda predatória, prática vedada pela legislação quando usada para eliminar concorrentes antes de reajustar valores.

Imagem: Ap
A Keeta iniciou operação em São Paulo em novembro de 2025, logo após o relançamento da 99Food. A expansão para o Rio de Janeiro, prevista para fevereiro de 2026, foi adiada pela chinesa, que alegou concentração de restaurantes exclusivos em plataformas rivais.
O desfecho da investigação pelo Cade deve indicar se as práticas de subsídio configuram desequilíbrio competitivo e se as empresas deverão ajustar suas políticas de preço e comissionamento.
Com informações de Tecnoblog

