Um homem de 44 anos foi denunciado por homicídio culposo após um acidente ocorrido em 19 de junho em Katy, no Texas, que resultou na morte de uma mulher de 76 anos. Segundo a Promotoria do Condado de Harris, o condutor dirigia um Tesla equipado com o sistema de assistência Full Self-Driving (FSD) no momento da colisão.
De acordo com o relatório acusatório, enquanto o veículo transitava por uma área residencial, o motorista pressionou o acelerador de forma contínua, elevando a velocidade para cerca de 73 mph (aproximadamente 117 km/h). Ao se aproximar de uma curva, o carro perdeu o controle e avançou contra uma residência, provocando o falecimento da vítima no local.
Dinâmica do acidente e elementos da investigação
Investigadores apuraram que, antes do impacto, não houve acionamento dos freios pelo condutor, que manteve o acelerador pressionado por vários segundos. A perícia técnica não identificou falhas mecânicas no veículo, tampouco registros de problemas de saúde, uso de substâncias psicoativas ou interferências externas que pudessem comprometer o funcionamento do sistema.
O inquérito também levou em conta buscas realizadas pelo motorista semanas antes do episódio, nas quais ele questionava se o sistema de direção assistida seria “pouco agressivo” em vias urbanas. Esses registros, associados a dados de telemetria, imagens captadas pela câmera interna do automóvel e informações extraídas do celular do condutor, integram o conjunto probatório apresentado à Justiça.
O modelo da Tesla utilizado permite que o condutor realize intervenções diretas na aceleração, mesmo com o FSD ativo, mantendo sob controle manual aspectos como aceleração e frenagem, enquanto o sistema cuida da direção e da navegação. Nesse caso, o promotor sustentou que a intervenção inadequada sobrepôs-se à condução assistida, levando ao desfecho trágico.

Imagem: Imagem ilustrativa
Além de responsabilizar o motorista pelo acidente, o processo ocorre em meio a um debate mais amplo sobre a atribuição de culpa em sistemas semiautônomos. Em outras instâncias judiciais nos Estados Unidos, decisões civis têm dividido a responsabilidade entre condutores e fabricantes. Um caso recente na Flórida resultou em veredito que partilhou a culpa entre o motorista e a montadora.
Agora, o réu aguarda o desenrolar das audiências para responder pelos atos atribuídos a ele na colisão que causou a morte da idosa.
Com informações de Olhardigital



