A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) conduziu neste domingo (5) um ensaio de defesa planetária com a sonda Hayabusa2, que passou a apenas 800 metros do asteroide Torifune. A manobra, realizada às 18h35 (Brasília UTC-3), avaliou a capacidade de guiar a espaçonave com precisão suficiente para, futuramente, alterar a trajetória de objetos celestes que possam ameaçar a Terra.
Objetivo e curso da missão
O experimento não teve como meta um impacto, mas sim validar o controle de navegação em alta velocidade. Equipado com sistemas de propulsão e sensores avançados, o veículo, com dimensões aproximadas de uma geladeira, cruzou a região a mais de 18 mil quilômetros por hora. A equipe da JAXA pretendia confirmar se a Hayabusa2 conseguiria manter uma trajetória tão exata quanto a exigida em possíveis operações de desvio de asteroides.
Reações e registros
Imagens divulgadas pela agência mostraram o momento de comemoração na sala de controle após o sucesso do sobrevoo. Segundo porta-voz da JAXA, a sonda operava normalmente após a manobra. Um membro da equipe descreveu a tensão vivida durante a aproximação e celebrou a conclusão sem contratempos. Caso confirmada a margem de 800 metros, este será um dos voos mais próximos já efetuados por uma espaçonave em torno de um asteroide próximo da Terra.
Coleta de dados para futuras missões
Além de demonstrar a precisão de voo, as câmeras da Hayabusa2 capturaram informações detalhadas sobre a superfície do Torifune, incluindo relevo, composição e temperatura. De acordo com Patrick Michel, cientista da Agência Espacial Europeia (ESA), esses dados são fundamentais para entender como diferentes materiais reagem a impactos, uma variável crucial na definição da melhor estratégia de desvio.
Contexto e próximos passos
Lançada em 2014, a Hayabusa2 ganhou destaque ao pousar no asteroide Ryugu e trazer amostras para a Terra em 2020. A missão revelou aspectos da formação do Sistema Solar há cerca de 4,6 bilhões de anos. Após a demonstração em Torifune, a JAXA planeja um encontro com o asteroide 1998 KY26 em 2031, quando a nave deverá realizar novo rendezvous para coleta de dados.

Imagem: Imagem ilustrativa
A operação ocorre no contexto de iniciativas internacionais de defesa planetária, como o impacto deliberado da missão DART da NASA em 2022 no asteroide Dimorphos, comprovando a importância de testes variados diante da diversidade de corpos próximos à Terra.
Com informações de Olhardigital

