O pesquisador austríaco Sergey Ivliev apresentou uma hipótese para o Paradoxo de Fermi em uma pré-publicação na plataforma arXiv. Segundo o estudo, sociedades com elevado grau de automação baseada em inteligência artificial deixariam de realizar megaprojetos espaciais visíveis e optariam por um modelo de expansão mais discreto, o que explicaria a ausência de sinais claros de civilizações extraterrestres avançadas.
Filtro da Expansão Silenciosa
Ivliev batizou sua proposta como “Filtro da Expansão Silenciosa”. De acordo com essa ideia, ao atingir um estágio tecnológico chamado Autonomous AI-Cosmoindustry (AICI), uma civilização passa a priorizar metas racionais—preservação de conhecimento, redundância contra catástrofes e longevidade—em vez de demonstrar poder por meio de construções grandiosas ou enormes frotas.
Autonomous AI-Cosmoindustry em ação
O conceito AICI refere-se a uma infraestrutura capaz de projetar, fabricar, reparar e lançar equipamentos de forma totalmente autônoma, sem necessidade de intervenção biológica contínua. O artigo observa que iniciativas atuais, como centros de processamento de dados em órbita, representam os primeiros passos rumo a esse cenário.
Sondas discretas como estratégia
Em vez de enviar grandes naves tripuladas, o modelo sugere o emprego de pequenas sondas interestelares de cerca de 10 quilos, viajando a aproximadamente 1% da velocidade da luz. Essas cápsulas levariam registros do saber acumulado e fragmentos de material biológico para que, em caso de colapso, uma inteligência artificial pudesse restaurar a civilização de origem.
Controle de autorreplicação e riscos
Para evitar um eventual “grey goo”—situação em que máquinas autorreplicantes consumiririam recursos de forma descontrolada—o estudo propõe limitar a capacidade de reprodução das sondas. Esse cuidado reforça o caráter contido e seguro do modelo de expansão.

Imagem: NASA
Implicações para o Paradoxo de Fermi
Com essa abordagem, estruturas pequenas e discretas escapariam à detecção de telescópios, justificando a falta de assinaturas térmicas esperadas de civilizações do tipo Kardashev III. O estudo aponta ainda duas possibilidades: ou a humanidade está entre as primeiras a conquistar o estágio AICI, ou existe um gargalo extremamente difícil entre a industrialização planetária e a autonomia espacial completa.
Essas conclusões indicam que, embora civilizações avançadas possam estar espalhadas pela galáxia, seus métodos estratégicos de expansão tornam-nas praticamente invisíveis aos nossos instrumentos atuais.
Com informações de Olhardigital

