Pesquisadores da Pritzker School of Molecular Engineering da Universidade de Chicago, em parceria com o Argonne National Laboratory, desenvolveram um adesivo flexível que combina sensores e inteligência artificial para detectar arritmias cardíacas em questão de milissegundos. Publicado em 20 de maio de 2026 na revista Nature Electronics, o estudo descreve uma plataforma neuromórfica baseada em transistores eletroquímicos orgânicos, instalada em uma camada fina semelhante à pele.
Como funciona o adesivo
O dispositivo não se limita a registrar sinais biológicos: ele processa e interpreta os dados diretamente sobre a pele, dispensando o envio de informações a servidores externos. Com capacidade de reagir em menos de um décimo de segundo, o adesivo atua como um minicomputador flexível. Sua arquitetura integra memória e processamento no mesmo circuito, inspirada no sistema nervoso humano.
Resultados de precisão
Em testes de mapeamento cardíaco real, o equipamento alcançou 99,6% de acerto na identificação de frentes elétricas associadas à fibrilação ventricular, uma arritmia potencialmente fatal que pode interromper o bombeamento de sangue. Mesmo quando esticado até 1,5 vez o seu comprimento original, o adesivo manteve a performance. Além desse teste, uma rede neural embutida avaliou dados de colesterol, glicemia, frequência cardíaca máxima e eletrocardiograma para estimar risco de ataque cardíaco, obtendo 83,5% de precisão.
Tecnologia e fabricação
Os transistores eletroquímicos orgânicos permitem fluxo de íons em uma matriz de gel polimérico, conferindo propriedades de memória e processamento integrados. Para manter a flexibilidade e evitar curtos-circuitos, os cientistas criaram um gel que endurece em padrões definidos sob luz ultravioleta, resultando em densidade de até 10.000 transistores por centímetro quadrado.
Desafios e perspectivas
Embora promissor, o adesivo ainda está em fase experimental e requer etapas adicionais de validação, segurança, testes clínicos e certificação regulatória antes de chegar a hospitais ou farmácias. Os responsáveis pelo projeto destacam que integrar circuitos inteligentes a dispositivos flexíveis pode acelerar tratamentos em emergências médicas, reduzindo a dependência de redes remotas.
Imagem: Imagem ilustrativa
O estudo abre caminho para uma nova geração de dispositivos vestíveis e implantáveis, capazes de sentir, processar e responder em tempo real a alterações do corpo, com aplicações em cardiologia, neurologia, monitoramento de pacientes crônicos e outras áreas da saúde.
Com informações de Arevista
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