Executivos de grandes empresas de inteligência artificial, como Nvidia e OpenAI, admitiram ter exagerado a possibilidade de desemprego em massa causada pela tecnologia. A mudança no tom ocorre em um momento de crescente resistência pública às transformações do mercado de trabalho e de preparação de algumas dessas companhias para ofertas públicas iniciais (IPOs).
Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirmou em entrevista ao Channel News Asia que atribuir demissões recentes à adoção de IA tem servido como pretexto conveniente para muitas organizações. “A narrativa que vincula a IA à perda de empregos, para muitos CEOs, é simplesmente conveniente demais”, disse Huang, ressaltando que algumas demissões ocorreram antes mesmo de as ferramentas de automação se tornarem efetivamente úteis há cerca de seis meses.
Principais recuos e declarações
O líder da OpenAI, Sam Altman, reconheceu em evento em Sydney que suas projeções iniciais sobre o impacto da IA no mercado de trabalho foram equivocadas. “Eu achei que já teríamos visto um impacto maior sobre cargos executivos de nível inicial do que realmente ocorreu”, afirmou, segundo o jornal The Australian. Em seguida, acrescentou: “Hoje entendo melhor por que isso não aconteceu, felizmente. Minhas intuições nessa área estavam erradas”.
Além desses posicionamentos, Dario Amodei, CEO da Anthropic, suavizou previsões ao estimar que, mesmo se 90% das tarefas forem automatizadas, os 10% restantes de funções humanas poderão ter a produtividade ampliada graças ao suporte das ferramentas de IA.
Apesar dos recuos nos discursos, algumas empresas seguem anunciando cortes. Em abril, a controladora do Snapchat cortou cerca de mil vagas, citando ganhos de eficiência operacional por meio da automação. O banco britânico Standard Chartered também planeja eliminar milhares de postos administrativos até 2030.
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Por outro lado, instituições como o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional têm apontado que, até o momento, o impacto prático da IA na oferta de empregos permanece limitado. Em discurso na Universidade de Stanford, a governadora do Federal Reserve, Lisa Cook, alertou que “as perdas iniciais de postos podem anteceder os ganhos econômicos prometidos” e que a reorganização do trabalho pode ser a mais significativa em gerações.
O setor deve continuar acompanhando o debate técnico sobre o futuro do emprego, enquanto executivos buscam equilibrar expectativas de investidores e preocupações sociais em torno da automação.
Com informações de Olhardigital
