Uma pesquisa realizada em dezembro de 2025 com 1 000 gestores de contratação nos Estados Unidos revela que mais da metade das companhias tem usado a inteligência artificial como justificativa para cortes de pessoal e suspensão de novas contratações. O levantamento foi conduzido pela Resume Templates por meio da plataforma Pollfish.
IA ganha destaque no discurso corporativo
Dos entrevistados, 59% afirmam realçar o papel da inteligência artificial ao comunicar demissões ou o congelamento de vagas, por acreditarem que essa narrativa é mais facilmente aceita do que alegações de instabilidade financeira. Dentro desse grupo, 17% dizem que tratam a tecnologia como motivo principal, enquanto 42% a mencionam de forma parcial.
No entanto, o impacto efetivo da automação nos quadros de funcionários é menor do que o discurso sugere. Apenas 9% dos gestores relatam que funções foram totalmente substituídas por sistemas de IA. Outros 45% reconhecem redução parcial na necessidade de novas vagas, e o mesmo percentual indica pouco ou nenhum efeito sobre o tamanho das equipes.
“IA sugere progresso em vez de problemas.”
Kara Dennison, consultora-chefe de carreira da Resume Templates
Segundo Dennison, associar mudanças a inovações tecnológicas passa a impressão de estratégia bem planejada e atualização constante. Por outro lado, ao não observarem transformações concretas em suas rotinas, funcionários podem questionar a real motivação por trás dos cortes.
Reorganização em curso no mercado de trabalho
Apesar de 55% das empresas declararem intenção de demitir profissionais em 2026, 92% planejam também abrir posições para novas contratações. Isso indica que as organizações estão redefinindo estruturas em vez de promover uma contração generalizada do mercado.
Os principais motivos apontados para o enxugamento de equipes foram:
Imagem: Imagem ilustrativa
- Impacto da inteligência artificial: 44%
- Reestruturações organizacionais: 42%
- Restrições orçamentárias: 39%
Enquanto algumas áreas perdem profissionais, outras recebem investimentos, especialmente em setores voltados à eficiência operacional, tecnologia e expansão de negócios. Em suas palavras: “Estamos vendo um reequilíbrio da força de trabalho”, destaca Dennison.
Competências mais valorizadas
Entre as habilidades consideradas prioritárias pelos gestores estão:
- Resolução de problemas: 54%
- Aprendizado rápido de novas ferramentas e tecnologias: 44%
- Comunicação: 43%
- Adaptabilidade: 39%
- Colaboração em equipe: 36%
A familiaridade com ferramentas de inteligência artificial aparece em último lugar na lista, com apenas 31% das menções, atrás das demais competências humanas.
O levantamento reforça que, mesmo com o papel cada vez maior da IA no discurso empresarial, o mercado continua dinâmico, alternando cortes e contratações conforme objetivos estratégicos e mudanças tecnológicas.
Com informações de Olhardigital
