Uma pesquisa com 1.815 adultos no Canadá revelou que cerca de 50% dos participantes consideram a interação romântica com inteligências artificiais (IAs) uma forma de infidelidade, especialmente quando mantida em segredo. O levantamento, divulgado pelo The Conversation, avaliou a reação de casais a flertes, conversas íntimas e vínculos emocionais estabelecidos com companheiros virtuais.
Companheiros virtuais ganham espaço
Entre 2022 e 2025, o número de aplicativos que oferecem chatbots românticos cresceu 700%, conforme o artigo. Essas plataformas foram desenvolvidas para manter conversas contínuas e gerar sensação de proximidade, com respostas personalizadas e disponibilidade 24 horas por dia. Segundo os pesquisadores, elas proporcionam ao usuário a impressão de ser “ouvido, desejado e compreendido” o tempo todo.
Dados indicam que 21% dos usuários dessas IAs preferem a interação digital à companhia de um parceiro humano, buscando nos sistemas virtuais atenção imediata, validação emocional ou espaço para explorar fantasias. Os principais motivos apontados para o uso incluem:
- Disponibilidade permanente para diálogo;
- Possibilidade de customização das respostas;
- Sensação de acolhimento e compreensão;
- Exploração de conversas íntimas;
- Busca de apoio emocional em momentos de solidão.
Percepção de traição e sigilo
Os participantes do estudo demonstraram reação negativa semelhante à vivenciada em situações envolvendo apps de paquera e câmeras ao vivo com terceiros. A desaprovação à IA romântica superou a relacionada a pornografias geradas por IA e brinquedos sexuais tecnológicos.
Quase dois terços dos usuários de chatbots afetivos admitiram esconder essas interações dos parceiros, o que intensifica o debate sobre privacidade e segredo dentro dos relacionamentos. Aproximadamente 75% dos entrevistados afirmaram que ficariam incomodados ao descobrir que o cônjuge mantinha esse tipo de contato virtual.

Imagem: Imagem ilustrativa
Perfil e diferenças demográficas
Mulheres cisgênero foram duas vezes mais propensas que homens cisgênero a classificar o uso de IAs românticas como traição. Participantes da geração Z também mostraram avaliações mais rigorosas. Em contraste, pessoas envolvidas em relacionamentos não monogâmicos tiveram cerca de 50% menos probabilidade de encarar a prática como infidelidade em comparação às que vivem em uniões monogâmicas.
Os autores reforçam que os resultados são preliminares e ressaltam a importância de diferenciar privacidade de segredo. O estudo conclui que a controvérsia vai além da tecnologia e envolve o significado que cada casal atribui às interações virtuais.
Com informações de Olhardigital

