A inteligência artificial tem ganhado espaço em salas de aula de diversas partes do mundo, mas especialistas alertam para o risco de substituição do pensamento humano por ferramentas digitais. Nos Estados Unidos, a Alpha School chamou atenção ao adotar programas de IA em lugar de professores, oferecendo currículo personalizado, carga horária reduzida em disciplinas básicas como matemática e inglês e mais atividades de socialização.
Posicionamento da Unesco
Em janeiro de 2026, a Unesco defendeu que a IA deve apoiar processos de ensino-aprendizagem sem eliminar a dimensão humana. Shafika Isaacs, chefe da seção de Tecnologia e Inteligência Artificial na Educação do órgão, ressaltou que “educação é uma experiência social, humana e cultural” e advertiu para o perigo de externalização do pensamento, algo que prejudica o desenvolvimento crítico dos estudantes.
Pesquisa brasileira sobre retenção de conhecimento
No Brasil, o professor e pesquisador André Barcaui, pós-doutor em Inteligência Artificial pela UERJ, conduziu estudo com universitários que usaram ChatGPT em atividades acadêmicas e comparou seu desempenho ao de colegas que adotaram métodos tradicionais de estudo. Após 45 dias, um teste surpresa revelou média de 68,5% de acertos entre quem estudou sem IA e 57,5% entre quem recorreu ao ChatGPT.
Para Barcaui, esses resultados não indicam que a IA seja prejudicial por natureza nem justificam sua proibição. O problema, segundo ele, ocorre quando o recurso deixa de ampliar o raciocínio humano e passa a substituí-lo, caracterizando o que o pesquisador chama de “competência emprestada” ou “muleta cognitiva”.
Integração com letramento digital e habilidades humanas
O pesquisador defende que a IA seja incorporada ao ambiente educacional com orientação pedagógica, letramento digital e incentivo a habilidades tipicamente humanas, como leitura, escrita, pensamento crítico e interpretação de textos. “O problema não é a IA. É quando ela substitui o seu pensamento”, resumiu Barcaui.
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Entre as orientações, ele destaca a importância de ensinar os alunos a formular bons prompts, compreender os limites da tecnologia generativa e manter conhecimentos básicos, como operações matemáticas simples e compreensão de textos. O objetivo é evitar a dependência de respostas prontas e garantir que a ferramenta seja usada como apoio ao aprendizado, e não como atalho que comprometa a construção de conhecimento.
Com informações de Olhardigital