A Europa vive mais uma onda de calor com marcas históricas, reforçando o alerta de que o continente está aquecendo mais rápido que qualquer outra região do planeta. Segundo dados do serviço Copernicus, da União Europeia, a média de temperatura na Europa sobe aproximadamente 1 grau Fahrenheit (0,56 °C) por década desde meados dos anos 1990, mais que o dobro do ritmo observado globalmente.
Fatores que intensificam o aquecimento
Além do impacto global do aquecimento por emissões de combustíveis fósseis, características locais colaboram para a escalada de temperaturas na Europa. No Ártico europeu, a redução do gelo marinho expõe águas escuras do oceano, que absorvem mais energia solar. Na Escandinávia e na porção europeia da Rússia, o derretimento da neve faz com que o solo retenha calor por mais tempo.
Outro elemento importante é a diminuição de aerossóis na atmosfera. A melhoria da qualidade do ar reduziu partículas capazes de refletir parte da radiação solar de volta ao espaço, contribuindo para o aquecimento adicional do ar acima do continente.
Alterações na corrente de jato
A corrente de jato, faixa de ventos velozes que costuma trazer ar fresco do Atlântico, tem se fragmentado em dois ramos com maior frequência. Esse fenômeno, conhecido como “jato duplo”, favorece a estagnação de massas de ar quente sobre a Europa. Um estudo de 2022 concluiu que quase todo o aumento na frequência e na intensidade das ondas de calor na Europa Ocidental está ligado à permanência desse padrão de vento.
Em 2003, durante a onda de calor que resultou na morte de até 70 mil pessoas, o “jato duplo” manteve-se ativo por 29 dias consecutivos.
Monitoramento e previsões
Pesquisadores de diversas instituições analisam as temperaturas registradas nesta onda de calor em países como França e Reino Unido para avaliar quanto as mudanças climáticas provocadas pelo homem elevaram a probabilidade de eventos extremos como o atual.

Imagem: Imagem ilustrativa
“Esperamos um aumento das temperaturas e a quebra de recordes térmicos devido às mudanças climáticas”, afirmou Lizzie Kendon, cientista do clima da Universidade de Bristol, ao The New York Times.
Segundo Kendon, o aspecto mais notável desta onda de calor é a margem pela qual os recordes anteriores estão sendo superados. As análises ainda estão em curso, mas a previsão indica mais dias de calor intenso em diferentes regiões do continente.
Com informações de Olhardigital
