A Intel e a AMD anunciaram a especificação AI Compute Extensions (ACE) versão 1.15, um novo padrão que amplia as capacidades de inteligência artificial em processadores baseados na arquitetura x86. O objetivo é permitir que CPUs executem operações de IA com maior eficiência, sem depender exclusivamente de GPUs ou NPUs.
O documento técnico, divulgado publicamente na semana passada, detalha instruções e registradores adicionais desenvolvidos para acelerar tarefas matemáticas típicas de aplicações de IA, como multiplicação e soma de matrizes. Essas operações formam a base de redes neurais e algoritmos de aprendizado de máquina.
Originalmente projetados para processar valores escalares, os chips x86 passaram a adotar instruções AVX (Advanced Vector Extensions), que permitem trabalhar com vetores — sequências de dados — em vez de um único valor por vez. Apesar desse avanço, as matrizes continuavam a exigir múltiplas passagens de dados, já que os vetores são unidimensionais.
O que muda com o ACE
O ACE combina os registradores AVX10 existentes com oito registradores de bloco bidimensional. Cada um desses registradores pode armazenar uma matriz 16×16 de números de 32 bits, permitindo o processamento simultâneo de todas as linhas e colunas da estrutura bidimensional.
Segundo as especificações, esse modelo pode elevar em até 16 vezes a eficiência de operações sobre matrizes. Na prática, isso se traduz em desempenho superior para aplicações de IA executadas diretamente na CPU, como inferência de modelos e processamento de linguagem natural.

Imagem: Imagem ilustrativa
No entanto, as fabricantes deixam claro que o padrão não tem intenção de substituir GPUs ou NPUs em tarefas de IA mais complexas. A proposta é oferecer desempenho adicional em cenários de uso local, onde a utilização de hardware dedicado pode ser inviável.
Quando processadores com ACE chegarão ao mercado?
Tanto a Intel quanto a AMD informam que planejam estrear o ACE em processadores a partir de 2028. Por se tratar de uma modificação de hardware, não será possível habilitar o padrão em CPUs já existentes por meio de atualizações de software ou firmware.
Com a adoção do ACE, espera-se que futuros chips x86 alcancem melhor performance em tarefas de IA autônomas, ampliando o leque de aplicações possíveis sem necessidade de componentes adicionais.
Com informações de Tecnoblog
