Transmissão: Space
O Observatório Vera C. Rubin, instalado a 2.668 metros de altitude no Cerro Pachón, norte do Chile, deu início a um levantamento de dez anos dedicado a investigar a energia escura, a força invisível que compõe cerca de 68% do Universo e acelera a expansão cósmica. Equipado com o maior sensor digital já construído para astronomia – uma câmera de 3,2 bilhões de pixels acoplada a um telescópio de 8,4 metros – o complexo promete repetir a varredura de todo o céu do hemisfério sul a cada poucas noites.
O que é a energia escura
Na cosmologia atual, o espaço “vazio” carrega uma pressão de repulsão constante, empurrando galáxias para distâncias cada vez maiores. Somada à matéria escura, que representa outros 27% do conteúdo cósmico, restam apenas 5% de tudo o que pode ser visto, medido ou tocado, incluindo estrelas, planetas e nuvens de gás. A descoberta de que essa expansão cósmica vinha acelerando rendeu aos pesquisadores envolvidos o Nobel de Física de 2011 e estimulou a criação de projetos como o Levantamento do Legado do Espaço e do Tempo (LSST), executado pelo Vera Rubin.
Metodologia e parcerias
O mapeamento combinará quatro técnicas principais: observação de supernovas tipo Ia para medir distâncias, análise da radiação cósmica de fundo, levantamento 3D de galáxias e estudo de lentes gravitacionais fracas. Essas abordagens independentes já confirmaram a aceleração do Universo e agora serão refinadas pelo volume de dados gerado pelo Rubin.
Além das medições terrestres, o projeto trabalhará em conjunto com telescópios espaciais. O Euclid, da Agência Espacial Europeia, e o Nancy Grace Roman, da NASA, complementam o levantamento ao obter imagens sem distorções atmosféricas e em infravermelho próximo. A integração desses conjuntos de dados reduzirá margens de erro em análises de lentes gravitacionais e aprimorará a determinação de distâncias cósmicas.
Diferença e cronograma
Segundo Bruno Quint, cientista de operações e vice-chefe de suporte científico do Vera Rubin, “o telescópio foi projetado para sondar energia escura e matéria escura com precisão inédita”. Em uma perspectiva de dez anos, o observatório pretende testar se a energia escura é uma constante ou se varia ao longo do tempo, colocando à prova modelos de física quântica e teorias de gravidade modificada.

Imagem: H.Stockebrand/RubinObs/NOIRLab/SLAC/DOE/NSF/AURA
O primeiro conjunto de dados de teste (Data Preview 2) está previsto para ser disponibilizado entre julho e setembro de 2026. Em seguida, o Data Release 1 chegará cerca de um ano depois, com o catálogo oficial de galáxias e medições iniciais sobre a evolução da energia escura.
O Vera Rubin surge, assim, como uma “máquina de descobertas inesperadas”, capaz de responder não apenas a perguntas conhecidas, mas também de revelar fenômenos ainda não previstos pelos modelos atuais.
Com informações de Olhardigital


