Um estudo liderado por pesquisadores das universidades de Lancaster, Stanford e da Califórnia em Berkeley aponta que imagens faciais produzidas por inteligência artificial (IA) inspiram mais confiança em pessoas do que fotografias de rostos humanos. A pesquisa, intitulada “AI-Generated Faces are Becoming More Trustworthy”, investiga os riscos associados ao uso crescente de rostos sintéticos em fraudes online e desinformação.
Quem, quando e como
A investigação foi conduzida por Alexis McGuire, Paul Taylor e Sophie Nightingale (Universidade de Lancaster), Maty Bohacek (Universidade de Stanford) e Hany Farid (Universidade da Califórnia, Berkeley). Trata-se do primeiro estudo a avaliar a confiabilidade de rostos gerados com algoritmos de difusão de última geração. Os autores alertam para a democratização de ferramentas que permitem criar perfis falsos sem qualquer conhecimento técnico.
Metodologia
Na primeira etapa, 169 voluntários observaram, de forma aleatória, um conjunto de 96 imagens faciais diversas em termos de etnia, gênero e idade. Cada participante indicou se o rosto era real ou sintético. A taxa de acerto média foi de 58,4%, pouco acima dos 50% esperados ao acaso.
Em seguida, outro grupo de voluntários avaliou o nível de confiabilidade dos mesmos 96 rostos em uma escala de 1 (muito não confiável) a 7 (muito confiável).
Principais resultados
- Os voluntários julgaram os rostos reais como menos confiáveis, atribuindo nota média de 4,03;
- Os rostos gerados por modelos adversariais generativos (GAN) receberam média de confiança de 4,36;
- Os rostos criados por modelos de difusão (DM) alcançaram a maior avaliação, com média de 4,70;
- Curiosamente, mesmo sendo considerados menos realistas que os GAN, os rostos de difusão foram tidos como mais confiáveis.
Paradoxo e riscos
Segundo Alexis McGuire, esse paradoxo sugere que as percepções de realismo e confiabilidade operam por mecanismos psicológicos distintos. A pesquisadora alerta que a crescente sofisticação e acessibilidade dos geradores de IA pode minar a confiança geral na imagem digital, facilitando golpes de identidade, catfishing e campanhas de desinformação.

Imagem: Imagem ilustrativa
Publicação e participação
Os resultados foram publicados no Journal of Vision. Interessados em contribuir com a pesquisa podem participar de uma experiência online anônima chamada “Examining Individual Differences in the Detection of Real and AI-generated Faces”, que avalia a capacidade de distinguir rostos reais de sintéticos e o grau de confiança atribuído a cada imagem.
Com informações de Olhardigital



