O exoplaneta CoRoT-2 b apresenta um ciclo de rotação mais lento do que seu período orbital. Estudos recentes revelaram que o planeta leva cerca de três dias terrestres para girar em torno de si mesmo, enquanto completa uma volta ao redor de sua estrela-mãe em apenas um dia e meio. Dessa forma, CoRoT-2 b dá duas órbitas antes de finalizar um único giro próprio.
As informações foram obtidas pela pesquisadora Aurora Kesseli, do NASA Exoplanet Science Institute, localizado no IPAC, centro de ciência e dados do Caltech. Para medir a velocidade de rotação do planeta, a equipe utilizou novas observações espectroscópicas captadas pelo Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul.
CoRoT-2 b é classificado como um “Júpiter quente”, categoria que engloba planetas gasosos de grande porte situados muito próximos de suas estrelas, submetidos a temperaturas elevadas. Contudo, ao contrário de outros exemplares dessa classe, cujo ponto de maior calor se desloca levemente na direção do movimento orbital, o ponto mais quente de CoRoT-2 b encontra-se exatamente no lado oposto.
Pesquisas anteriores sugeriram três possíveis explicações para essa discrepância: nuvens densas que cobrem parte da atmosfera, campos magnéticos interferindo na distribuição de calor ou uma rotação mais lenta do que o esperado. Os novos dados do VLT indicam que a melhor hipótese é a da rotação atrasada.
Investigação sobre a rotação
Os cientistas ainda não definiram por que CoRoT-2 b exibe um giro tão lento. Hipóteses incluem interações gravitacionais com a estrela-hospedeira, processos internos do planeta ou outros fatores não identificados até o momento. Será necessário realizar mais observações para compreender as causas desse comportamento.
Até agora, mais de 5.000 exoplanetas foram confirmados além do Sistema Solar. Kesseli ressalta que padrões antes considerados universais podem apresentar exceções conforme novos dados surgem. “Agora podemos ver que um modelo único não funciona, mesmo para planetas que estudamos há muito tempo. Cada vez que olhamos para outro Júpiter quente, aprendemos algo novo para refinar nossos modelos, que são úteis para entender não só os Júpiteres quentes, mas todos os tipos de exoplanetas”, afirmou a pesquisadora.

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Futuros observatórios
Os astrônomos esperam que a próxima geração de telescópios ofereça medições mais precisas das atmosferas exoplanetárias. Entre os instrumentos planejados estão o Habitable Worlds Observatory e o Extremely Large Telescope (ELT), que devem permitir avaliar ventos, temperaturas e até composicional química em detalhes, inclusive em mundos com características potencialmente habitáveis.
De acordo com Kesseli, “com a próxima geração de telescópios, poderemos fazer medições mais aprofundadas em mais planetas, talvez até em potencialmente habitáveis”. O estudo foi apresentado na 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana (AAS).
Com informações de Olhardigital

