Pesquisadores da Universidade de Hong Kong anunciaram o desenvolvimento de um plástico “vivo” capaz de se decompor de forma controlada a partir da ativação de bactérias incorporadas em sua estrutura. O estudo, publicado em maio de 2026 e divulgado pelo portal New Atlas, propõe uma alternativa sustentável para reduzir o acúmulo de resíduos plásticos no meio ambiente.
Desenvolvimento do material
A equipe utilizou a bactéria Bacillus subtilis, cujos esporos foram modificados geneticamente para produzir duas enzimas específicas que quebram polímeros plásticos. Os pesquisadores inseriram esses esporos diretamente na matriz de policaprolactona (PCL), um material conhecido por suas propriedades biodegradáveis. Em condições normais, os microrganismos permanecem inativos e não alteram as características mecânicas do plástico.
Para iniciar a degradação, basta submeter o material a uma solução nutritiva aquecida a aproximadamente 50 °C. Nesse ambiente, os esporos são ativados e as enzimas passam a atuar: uma delas fragmenta rapidamente as longas cadeias de PCL, enquanto a outra reduz esses fragmentos em moléculas de menor tamanho.
Resultados dos testes
Segundo os experimentos, a nova composição de plástico “vivo” alcançou degradação quase total em apenas seis dias após a ativação das bactérias. Em um dos testes, os pesquisadores produziram um eletrodo vestível a partir desse material. Depois de submetido à solução aquecida, o dispositivo se desfez completamente em cerca de duas semanas, sem deixar vestígios de microplásticos detectáveis.
Os cientistas destacam que, fora do período de ativação, o plástico mantém resistência e flexibilidade comparáveis às folhas comuns de PCL. Isso garante que produtos fabricados com a tecnologia possam ser usados normalmente antes de serem descartados e degradados de forma controlada.
Imagem: Imagem ilustrativa
Próximos passos
Apesar dos resultados promissores, a técnica atualmente se aplica apenas ao policaprolactona. A presença obrigatória da solução nutritiva e do aquecimento impede que o plástico se decomponha sozinho em ambiente natural. Por isso, a equipe já trabalha em adaptações para outros polímeros amplamente utilizados em embalagens e descartáveis, além de tentar desenvolver um sistema de ativação apenas em contato com água, com o objetivo de viabilizar a degradação em rios e oceanos.
Os pesquisadores acreditam que, ao integrar o processo de decomposição ao ciclo de vida dos materiais plásticos, será possível reduzir o impacto ambiental sem comprometer a funcionalidade dos produtos durante seu uso.
Com informações de Olhardigital

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