A Meta está trabalhando em um protótipo de óculos inteligentes dotados de recursos de inteligência artificial que permitem gravação de áudio e captura de imagens de forma ininterrupta. De acordo com reportagem do Financial Times, o projeto interno chamado “super sensing” prevê que os dispositivos registrem sons em tempo real e tirem fotos automaticamente em intervalos de poucos segundos.
O principal objetivo é oferecer ao usuário a possibilidade de recorrer à assistente Meta AI para obter detalhes sobre eventos ocorridos ao longo do dia, usando o histórico de imagens e sons capturados como base de contexto para responder às perguntas.
Arquitetura baseada em metadados
Defensores dessa estrutura argumentam que a transmissão de metadados em vez dos arquivos completos reduziria os riscos à privacidade, pois impediria acesso não autorizado às gravações originais.
Polêmica sobre privacidade
O anúncio do possível lançamento dos óculos com “super sensing” reacende o debate sobre privacidade, tema delicado para a Meta. A companhia já enfrenta críticas pelo uso de reconhecimento facial em seus dispositivos e incidentes em que usuários filmaram terceiros sem autorização.
No início de julho, a empresa liberou uma atualização que desativa automaticamente a câmera caso o LED indicador seja adulterado. Mesmo assim, a proposta atual é manter esse LED desligado durante o funcionamento do modo “super sensing”, o que pode dificultar a percepção de quando há gravação ativa.
Indicador luminoso e documento técnico
Em um white paper publicado em julho de 2025, a Meta descreveu a lógica do LED: ele acenderia apenas em situações de “captura ativa” – quando o usuário decide tirar fotos ou gravar vídeos. Em recursos classificados como “AI Feature”, como a leitura automática de cardápios, o indicador permaneceria apagado para evitar que as pessoas passassem a ignorá-lo.

Imagem: Imagem ilustrativa
Uso de dados para treinamento de IA
Posicionamento oficial
Em comunicado ao The Verge, o porta-voz Dave Arnold evitou detalhar o protótipo, mas reforçou o compromisso da empresa com a privacidade: “Embora não comentemos protótipos internos, estamos empenhados em acertar nossos óculos para que sejam bem recebidos por quem os usa e por quem está ao redor”.
Arnold acrescentou que a Meta desenvolve tecnologias com privacidade incorporada desde o início, visando beneficiar o dia a dia das pessoas sem comprometer dados pessoais.
Visão de longo prazo
Em teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026, o CEO Mark Zuckerberg afirmou que pretende transformar os óculos de um simples dispositivo de resposta a comandos em um assistente pessoal permanente, capaz de ajudar o usuário a lembrar de tarefas e alcançar objetivos ao longo de todo o dia. Atualizações futuras devem expandir o papel da Meta AI, tornando-a ainda mais integrada à rotina dos usuários.
Com informações de Olhardigital


