Pesquisadores da Universidade de Tóquio revelaram dois mecanismos genéticos no tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus) que podem esclarecer sua longevidade extrema — estimada em até 400 anos — e sua notável resistência ao câncer. O estudo, publicado por meio de análises de DNA, mapeou 96,7% do genoma da espécie, equivalente a cerca de 6,5 bilhões de pares de bases, o dobro do genoma humano.
Sequenciamento do genoma
Devido ao grande volume de sequências repetidas, a montagem do genoma do tubarão-da-Groenlândia era um desafio técnico significativo. A equipe japonesa, contudo, conseguiu ultrapassar essas barreiras e produzir a versão mais completa até hoje, cobrindo quase 97% do material genético. Essa referência ampliada permite investigar com precisão os fatores moleculares ligados à longevidade e ao controle de danos celulares.
Proteína histona H1.0 e estabilidade do DNA
Uma das descobertas centra-se na histona H1.0, proteína responsável por compactar o DNA dentro dos núcleos celulares. Os cientistas identificaram substituições de aminoácidos nessa molécula, em que a lisina foi trocada por arginina. Essa mudança mantém a carga positiva de forma mais estável, o que deve garantir maior proteção ao material genético ao longo de séculos. Segundo o líder do estudo, Shigeharu Kinoshita, essa estabilidade pode reduzir a desorganização da cromatina, um processo normalmente associado ao envelhecimento em outros vertebrados.
Controle de ferro e ferroptose
O segundo mecanismo envolve o processo de ferroptose, tipo de morte celular desencadeado pelo excesso de ferro nas células. No tubarão-da-Groenlândia, os pesquisadores encontraram 59 cópias do gene FTH1b, que codifica a ferritina, proteína-chave no armazenamento seguro de ferro. Nenhum outro tubarão até então analisado apresenta número semelhante desse gene. A presença ampliada de FTH1b sugere capacidade para eliminar células defeituosas e preservar tecidos saudáveis, auxiliando na prevenção de danos oxidativos e tumores.
Imagem: Imagem ilustrativa
Os autores ressaltam que, apesar dos resultados promissores, as funções exatas dessas variantes genéticas ainda precisam ser validadas em experimentos com células vivas.
Com informações de Olhardigital
