Arqueólogos italianos trouxeram novos detalhes sobre um kyathos dauniano, vaso cerâmico datado de quase 2,7 mil anos, encontrado em escavações na antiga cidade de Herdonia, hoje província de Foggia, sul da Itália. Criada no século VI a.C. por um povo pré-romano ainda pouco conhecido, a peça tem formato de tigela rasa, base circular estreita e alça moldada na forma de uma figura humana com olhos arregalados e braços erguidos.
Formato e decoração
O artefato exibe motivos geométricos em tons terrosos e estilizações associadas a aves, integradas à curvatura da bacia. A combinação de formas sugeriu aos pesquisadores semelhanças com recipientes cerimoniais de culturas vizinhas, mas diferenças de estilo e cronologia afastam uma identificação direta com modelos gregos ou etruscos.
Hipóteses de uso
Entre as interpretações predominantes está a função do kyathos como instrumento para retirar e misturar vinho em encontros sociais, à semelhança dos vasos de libações empregados em festividades do mundo grego antigo. No entanto, estudos publicados em 2023 na revista Frontiers in Chemistry apontaram vestígios de alcaloides do ópio em fragmentos de cerâmicas daunianas, ampliando a possibilidade de uso medicinal ou ritualístico. Esses compostos poderiam ter sido preparados nos recipientes para induzir estados de transe ou aliviar dores, atividades possivelmente ligadas a práticas religiosas do grupo.
Contexto arqueológico
Os Daunianos habitaram parte do atual sul da Itália séculos antes da expansão romana na região e não deixaram documentos escritos. Por isso, a compreensão de sua organização social e crenças depende exclusivamente de descobertas em sítios arqueológicos como Herdonia. Desde o final do século passado, escavações sistemáticas revelaram exemplares de cerâmica considerados entre os mais sofisticados do período pré-romano na península itálica.
Imagem: Ap
Preservação e divulgação
Peças como o kyathos dauniano estão hoje abrigadas em museus italianos – incluindo o Museu Cívico de Foggia – e em coleções de instituições internacionais. Em algumas dessas exposições, o vaso ganhou status de símbolo da herança cultural dauniana, representando o extenso repertório artístico e as práticas sociais desse povo antigo.
Com informações de Olhardigital


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