A NASA divulgou em 30 de junho uma nova imagem do Telescópio Espacial Hubble que revela o aglomerado globular Messier 3 (M3), composto por mais de meio milhão de estrelas mantidas pela gravidade. A fotografia foi compartilhada como parte das comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, segundo a agência.
Quem, o que e onde
Messier 3 está localizado a dezenas de milhares de anos-luz do centro da Via Láctea e é reconhecido como um dos maiores aglomerados globulares da nossa galáxia. Esses agrupamentos se formaram por estrelas muito antigas, nascidas quase simultaneamente a partir de uma mesma nuvem de gás primordial. Atualmente, astrônomos identificaram cerca de 150 aglomerados desse tipo distribuídos na periferia da galáxia.
Importância científica
O M3 se destaca por concentrar mais de 240 estrelas do tipo RR Lyrae, quantidade recorde em um aglomerado globular da Via Láctea. Essas estrelas variáveis oscilam periodicamente de brilho, permitindo medições precisas de distâncias cósmicas através da análise de seu ciclo luminoso. O princípio de medição dessas estrelas é comparado a avaliar a distância de um carro à noite pelo brilho de seus faróis.
Além disso, o aglomerado abriga cerca de 70 candidatas a estrelas azuis retardatárias, que aparentam ser mais jovens devido à coloração azul intensa, associada a temperaturas mais elevadas. A hipótese mais aceita é que elas tenham recebido massa de uma estrela companheira, ganhando um “novo combustível” sem alterar sua idade real.
Origem e evolução
Pesquisadores sugerem que Messier 3 pode ter se formado por meio da fusão de dois aglomerados globulares antigos, originários de uma pequena galáxia anã posteriormente absorvida pela Via Láctea. Estudos recentes reforçam essa hipótese ao apontar diferenças sutis na composição estelar e na distribuição de massa dentro do aglomerado.

Imagem: Imagem ilustrativa
Programa Hubble Treasury
O registro faz parte do programa Hubble Treasury, que pretende mapear cerca de metade dos aglomerados globulares da Via Láctea com o objetivo de reconstruir a história de formação da nossa galáxia. Essas observações utilizam técnicas de processamento de cores para destacar diferentes comprimentos de onda, incluindo radiação infravermelha, captados pelos instrumentos do telescópio.
Legado do Hubble
Em mais de 30 anos de operação, o Hubble continuou ampliando nosso conhecimento do cosmos. Ele trabalha em conjunto com o Telescópio Espacial James Webb e com o futuro Nancy Grace Roman, reforçando seu papel central na exploração da estrutura e da evolução do Universo. A nova imagem de Messier 3 exemplifica a capacidade do Hubble em revelar detalhes fundamentais sobre regiões estelares distantes.
Com informações de Olhardigital


