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Grande Pirâmide de Gizé resistiu a terremotos graças a características estruturais, aponta estudo

Um levantamento publicado na revista Scientific Reports revela que a Grande Pirâmide de Gizé foi projetada, ainda que de forma inconsciente, para dispersar vibrações sísmicas e manter sua estabilidade ao longo de quase 4.600 anos. A pesquisa detalha como a estrutura suportou abalos naturais e humanos sem apresentar danos significativos.

Os cientistas utilizaram sismômetros para captar pequenas vibrações contínuas em 37 pontos distribuídos dentro e ao redor do monumento. As medições mostraram que a pirâmide reage de forma uniforme às oscilações, dissipando energia de maneira eficaz mesmo com sua grande massa e altura original de 147 metros — hoje reduzida para cerca de 138,5 metros por erosão e retirada de revestimento.

Metodologia e resultados

Para coletar os dados, as equipes posicionaram detectores sísmicos em locais como a Câmara do Rei, nas câmaras superiores e no solo de calcário sobre o qual a pirâmide foi erguida. As medições indicaram que a intensidade das vibrações cresce à medida que se sobe na estrutura, mas cinco compartimentos acima da Câmara do Rei apresentaram comportamento inverso, atuando como dissipadores de energia.

“Essas câmaras ajudam efetivamente a dissipar a energia sísmica e a proteger a Câmara do Rei – uma das áreas mais críticas – de tremores excessivos”, explicou o sismólogo Mohamed ElGabry, do Instituto Nacional de Pesquisa de Astronomia e Geofísica do Egito, autor principal do estudo.

Fatores de resistência

Os pesquisadores apontam quatro elementos que contribuem para a estabilidade: base ampla de cerca de 230 metros em cada lado (equivalente a 5,3 hectares), centro de gravidade baixo, geometria simétrica e diminuição progressiva da massa em direção ao topo. Além disso, o conjunto de câmaras internas e passagens auxilia na dispersão das vibrações.

“Os construtores do antigo Egito claramente possuíam conhecimento prático relacionado à estabilidade, comportamento das fundações, distribuição de massa e transferência de carga”, afirmou o sismólogo Asem Salama, coautor do trabalho. Segundo ele, esses saberes foram aperfeiçoados por tentativa e erro ao longo de gerações.

Imagem: Imagem ilustrativa

Contexto histórico

Erguida como tumba de Khufu durante o Antigo Império, a pirâmide enfrentou terremotos notáveis na região do Cairo, como os de 1847 e 1992, que provocaram ruínas em milhares de construções e centenas de mortes, mas não afetaram significativamente o monumento. Os autores também destacam a complexidade logística do empreendimento, que durou cerca de duas décadas e envolveu transporte de materiais, alimentação de trabalhadores e coordenação de mão de obra em larga escala.

Para o sismólogo Salama, a conservação da pirâmide ao longo de milênios demonstra o acerto dos antigos engenheiros: “Eles realmente construíram uma obra para a posteridade”.

Com informações de Olhardigital

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Robson Lemes

Robson Lemes é especialista em tecnologia e criador de conteúdo focado em inovação, robótica e inteligência artificial. Como editor do Tecnologia Top, é responsável por trazer análises diárias e notícias de última hora sobre o mundo digital, sempre prezando pela precisão técnica e pelas diretrizes de transparência do jornalismo tecnológico.

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